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Atualizado às: 30 de outubro, 2003 - 11h35 GMT (09h35 Brasília)
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Iraquianos temem 'internacionalização' de conflito

Iraquiano e soldado americano conversam em Bagdá
Tensão entre população local e forças de ocupação aumenta

Depois da última série de explosões em Bagdá, os iraquianos não se cansam de remover escombros. Muitos continuam abalados pela intensidade da recente violência.

A cidade vive os dias mais sangrentos desde a queda do antigo regime e, nas ruas da capital, especula-se sobre uma possível "internacionalização" da situação resultante da invasão e ocupação liderada pelos Estados Unidos.

As opiniões divergem. Muitos iraquianos estão convencidos que os ataques são obra de extremistas estrangeiros, não iraquianos.

"Se compararmos com outros ataques do tipo em outras partes do mundo, eu diria que esse tipo de atentado parece ser mais do estilo de organizações como a Al-Qaeda. Antes da guerra, cerca de 4 mil fedayeen entraram no Iraque pela fronteira com a Síria", diz Hiba Moussa, estudante de 22 anos, muçulmana xiita.

"Podem ter nacionalidades diferentes, mas parecem estar envolvidos. Parece-me ser impossível que uma pessoa possa organizar ataques desta natureza. Tem de ser um grupo organizado de indivíduos", concluiu Moussa.

'Mão de Saddam'

Salim Sadik, um muçulmano sunita de 40 anos, também acredita no envolvimento de extremistas estrangeiros, mas considera que a "mão de Saddam" continua onipresente.

"Na minha opinião, há dois grupos. De um lado, estão os antigos elementos do regime de Saddam, porque há seis meses que Saddam foi derrubado e eles contiunuam sendo o principal partido com a capacidade para realizar este tipo de atividade", diz Sadik.

"Em segundo lugar, a organização Al-Qaeda, que tem como slogan combater a presença dos Estados Unidos onde quer que estejam. Acredito ainda que a Síria e o Irã, nossos vizinhos, também possam estar interessados em manter a atual situação de instabilidade dentro do Iraque porque sabem que podem vir a ser o próximo alvo dos americanos", argumenta.

Alil Faris, 30 anos, arquiteto, afirma que "muitos não querem ver o povo iraquiano em paz. Os interesses em jogo são múltiplos, inclusive de países da região."

É dificil de avaliar no terreno o grau de apoio dado por iraquianos ou o envolvimento estrangeiro nos recentes ataques. A coalizão admite que os ataques passaram a ser mais sofisticados – melhor "planejados e coordenados".

Segundo o general americano Mark Hertling, "há indicações de que certamente estes ataques parecem ter sido perpetrados por combatentes estrangeiros".

"Não é o tipo de operação que vimos os aliados do regime anterior praticarem."

Operações suicidas

Yunadin Gunna, um político iraquiano que integra o Conselho de Governo Transitório, diz que a recente onda de ataques suicidas mostra que a crise pós-invasão foi internacionalizada.

"As operações suicidas nunca existiram no Iraque. É a primeira vez que vemos operações suicidas e estes elementos não são iraquianos."

Yunadin Gunna afirma ainda que as forças da coalizão não conseguiram conter os simpatizantes de Saddam Hussein, que deram a eles tempo para reorganizar uma resistência e estabelecer contato com combatentes estrangeiros, mesmo da Al-Qaeda.

Para o político iraquiano, as táticas suicidas para coincidir com o início do Ramadã denotam o envolvimento de "fanáticos islâmicos estrangeiros".

"Estes elementos tentam dar a idéia de que os ataques não são contra a comunidade muçulmana e tentam envolver outras pessoas. Mas julgo que as pessoas aqui estão cada vez mais contra eles", diz Yunadin Gunna.

Ramadã

Os iraquianos começam a recear o fato de terem passado a ser os "anfitriões" de uma guerra que não é deles.

Em pleno Ramadã, mês sagrado do calendário muçulmano, muitos afirmam que o período deveria ser de oração e celebração. O xeque Mohammed Bashar, da mesquita de Tiba, no sudeste de Bagdá, diz, no entanto, que o Ramadã desta vez foi ofuscado pela violência e ocupação.

"Este ano, o Ramadã tem um sabor amargo para todos nós. O Iraque vive uma crise. O país não está nas mãos dos iraquianos e o caos impera por todo o lado. Pode-se ver pelo rosto das pessoas que elas estão tristes porque se sentem invadidas e ocupadas", afirma Bashar.

Depois do jejum, durante o mês festivo, as pessoas normalmente visitam amigos e familiares ao anoitecer.

As forças da coalizão suspenderam no domingo o toque de recolher noturno que se encontrava em vigor há seis meses, para permitir maior liberdade de movimento.

Mesmo assim, no entanto, muitos frequentadores da mesquita têm receio de sair à noite.

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