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Atualizado às: 27 de outubro, 2003 - 16h58 GMT (14h58 Brasília)
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Análise: O Iraque está entre a estabilidade e o caos

Explosão na Cruz Vermelha, em Bagdá
Explosão em Bagdá nesta segunda-feira atingiu prédio da Cruz Vermelha

Foi dada a largada da corrida no Iraque entre a desestabilização e a reconstrução.

De um lado, está a resistência iraquiana. Sua política é causar o caos na esperança de que, dos escombros, acabe a ocupação e, talvez, até o próprio Saddam Hussein seja levado de volta ao poder.

Do outro lado está a Coalizão ou as autoridades de ocupação e seus aliados. Eles esperam transferir o poder até o final do ano que vem e, por enquanto, estão despejando dinheiro para reconstruir a infra-estrutura básica.

No momento, a resistência iraquiana tem sido capaz de se movimentar livremente por Bagdá e, no que é conhecido como "triângulo do Baath", uma área onde a lealdade a Saddam Hussein permanece forte.

Ataque à vontade

Assim, talvez ela leve vantagem, podendo atacar onde quiser.

Surpreendentemente, pouco se sabe sobre a resistência. Presume-se que seja organizada por partidários de Saddam Hussein que, obviamente, têm acesso a armas e explosivos. Parece não haver escassez de voluntários para atentados a bomba suicidas.

Ela conseguiu até aumentar seu arsenal, utilizando um lançador de foguetes para atacar o hotel onde estava o subsecretário da Defesa dos Estados Unidos, Paul Wolfowitz. Um helicóptero Black Hawk foi derrubado.

A polícia iraquiana representa a maior ameaça no longo prazo à resistência. Por isso, tem lógica que delegacias de polícia sejam atacadas.

Mas o ataque à Cruz Vermelha no início do Ramadã sugere um elemento de jihad – a guerra santa dos muçulmanos. A Cruz Vermelha pode ser vista como um cristão intrometido e não apenas como um instrumento de colaboração.

Talvez exista uma causa comum entre os ligados ao partido Baath, que são quase totalmente seculares, e os islamistas. O problema para as autoridades de ocupação é que ninguém sabe realmente.

E sem boa captação de informações, uma política de combate à insurreição é impossível.

Cronograma apertado

Por isso é que o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, disse em um memorando que vazou para a imprensa que este será um trabalho longo e árduo.

A melhor esperança para a coalizão é que a população iraquiana veja um caminho melhor por meio de eleições e da reconstrução do país.

Espera-se que eles acreditem que, lentamente, a vida vai melhorar, e vai surgir um sistema político que vai derrotar os esforços para destruí-lo.

Mas o cronograma é apertado. Com a pressão internacional, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha admitiram no Conselho de Segurança que o cronograma para constituição e eleições deve ser apresentado pelo Conselho de Governo do Iraque até 15 de dezembro.

O representante britânico em Bagdá, Jeremy Greenstock, disse que espera que a transferência de poder possa acontecer "até o final de 2004".

Isso é difícil, mas não impossível.

Relatório

A importância de estabelecer estruturas de governo foi destacada em um relatório da Corporação Rand e do ex-embaixador dos Estados Unidos, James Dobbins, que desempenhou um papel importante em outros exercícios de organizar nações liderados pelos Estados Unidos.

Dobbins concluiu que a chave da estabilização é o desenvolvimento da democracia.

Partindo de lições dadas por ocupações bem-sucedidas na Alemanha e no Japão depois da guerra, e mais recentemente de transformações na Bósnia e em Kosovo, o relatório diz:

"A organização de nações não diz respeito especialmente à reconstrução econômica: tem mais a ver com transformação política. A propagação da democracia na América Latina, Ásia e partes da África sugere que essa forma de governo não seja específica da cultura ocidental ou de economias industriais avançadas: Democracia pode, na verdade, se enraizar em circunstâncias onde não exista nenhuma das duas."

Mas ele também traz uma advertência – ele destaca que a democracia não vai apenas surgir.

"O que distingue principalmente Alemanha, Japão, Bósnia e Kosovo da Somália, Haiti e Afeganistão não são os níveis de cultura ocidental, desenvolvimento econômico ou homogeneidade cultural", diz no documento.

"É mais o nível de esforços dos Estados Unidos e da comunidade internacional que influem em suas transformações democráticas."

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