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AIEA elogia abertura do Irã para inspeções
O governo do Irã recebeu elogios nesta terça-feira pelo anúncio de que vai em suspender o seu programa de enriquecimento de urânio e assinar um protocolo que permite rigorosas inspeções da ONU em suas instalações nucleares. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que havia dado até 31 de outubro para o Irã apresentar provas de que não está tentando construir armas nucleares, classificou a assinatura do acordo de "um sinal animador". Em uma reação mais reservada, a Casa Branca disse que as intenções do Irã, se confirmadas, serão "um passo positivo". A disposição do governo iraniano de assinar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNN) e colaborar com a AIEA foi divulgada durante a visita de uma delegação ministerial da União Européia (UE), que participou de intensas negociações com autoridades iranianas em Teerã. Em entrevista após uma reunião com ministros do Exterior da Grã-Bretanha, da França e da Alemanha, diplomatas iranianos disseram que Teerã também vai suspender as atividades de enriquecimento e reprocessamento de urânio, como exige a AIEA. O porta-voz da agência, Mark Gwazdecki, disse que o acesso às informações é a chave para a implementação do acordo. "O que estamos tentando fazer é reconstituir a história de um programa nuclear que tem quase 20 anos", disse Gwaszdecki. "Estamos tentaNdo fazer isso por meio de informações fornecidas pelo governo iraniano e verificando a exatidão e a completude delas. Só podemos fazer isso se realmente formos aos locais. O resto tem que vir dos próprios iranianos", disse. Cautela O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, enfatizou que o Irã deveria assinar já um tratado autorizando inspeções mais detalhadas. "O importante agora não são só palavras, mas ações para implementar completamente as obrigações internacionais deles", disse. O ministro do Exterior britânico, Jack Straw, também recebeu o anúncio com cautela. "A prova do valor das informações de hoje vai depender não só de palavras em um comunicado, mas acima de tudo da implementação do que foi acertado", disse Straw.
Com a iniciativa, o governo iraniano deve se juntar aos outros 80 signatários do protocolo, e as instalações nucleares do país estarão sujeitas a inspeções repentinas realizadas pela agência da ONU. "As autoridades iranianas reafirmam que armas nucleares não têm lugar na doutrina de defesa do Irã", diz o comunicado. Segundo o analista da BBC Jon Leyne, a decisão do Irã cria um impasse para a administração de George W. Bush, que classificou o país como integrante de um suposto "eixo do mal". Na opinião americana, segundo o correspondente, sempre foi claro que um país com as reservas petrolíferas do Irã não tem necessidade de qualquer reator nuclear, nem mesmo para fins civis. E o governo de Washington também quer evitar que o governo iraniano vire um motivo de disputa entre os Estados Unidos e a União Européia, que intermediou o acordo.
O chefe do importante Conselho de Segurança Nacional do Irã, Hassan Rohani, disse que a decisão de suspender o programa de enriquecimento de urânio é uma medida temporária, com o objetivo de reforçar a confiança nas intenções pacíficas do Irã. "Nós decidimos voluntariamente fazer isso, o que significa que isso pode durar um dia ou um ano. Depende de nós", disse Rohani à agência de notícias Reuters. "Enquanto o Irã acreditar que essa suspensão é benéfica para nós, vamos continuar e, quando não quisermos mais, isso vai acabar." Rohani afirmou ainda que não acredita que o Irã assine o protocolo adicional antes de 31 de outubro, mas o documento deve ser assinado "provavelmente antes de 20 de novembro". O Irã insiste que o seu programa nuclear – que inclui atividades ligadas ao enriquecimento de urânio – tem o objetivo de atender às necessidades do país no setor energético. |
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