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Atualizado às: 01 de agosto, 2003 - 19h53 GMT (16h53 Brasília)
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Análise: Qual é a força da oposição iraniana?

Protesto no Irã
Protestos no Irã foram vistos nos EUA como desgaste do regime

Algumas semanas atrás, no dia 9 de julho, iranianos-americanos se reuniram em Washington para demonstrar a sua solidariedade com os estudantes no Irã que têm feito campanhas por maior liberdade no país.

Os protestos marcaram o quarto aniversário das manifestações que foram duramente reprimidas em Teerã e em outras cidades iranianas.

Esses iranianos-americanos querem "mudança de regime" no Irã, mas quem deve substituir os mulás que governam o país desde a revolução islâmica que derrubou o xá do Irã, em 1979?

Alguns iranianos-americanos defendem a restauração da monarquia no país com o filho do falecido xá, Reza Pahlavi, que vive exilado no Estado de Virgínia, nos Estados Unidos, à frente do governo.

'Sede de liderança'

"Acho que há espaço para todos os dissidentes, entre eles o filho do xá, porque o Irã de hoje tem sede de liderança, o Irã está com sede de alguém com um plano", diz o empresário Rob Sobhani, um acadêmico iraniano-americano conhecido por seu ativismo político.

"Acho que o que falta à política iraniana hoje é alguém com planos para o futuro. Acho que, se um indivíduo – homem ou mulher – surgir e atrair a atenção do povo iraniano com os planos que ele ou ela tem para o país se desenvolver, certamente será o beneficiário ou a beneficiária dessa boa-vontade, dessa sede por um líder", completa Sobhani.

Entre as instituições de pesquisa existe um debate sobre a credibilidade da oposição iraniana.

Patrick Clawson, analista especializado no Irã do influente Instituto de Políticas para o Oriente Próximo de Washington, comentou a complexidade da situação.

"Em termos de oposição externa, temos o Mujahadeen Popular, que é um grupo muito barulhento e ativo. Eles têm pouco apoio dentro do Irã, mas são uma fonte útil de inteligência."

"Embaralhadas entre várias peças de desinformação, há também importantes dicas – e nós deveríamos ouví-las", afirma Clawson.

Pahlavi

"Há ainda os monarquistas e Reza Pahlavi, o filho do falecido xá, e ele parece ter melhorado a sua performance e está aprendendo a se comunicar melhor."

Reza Pahlavi
Reza Pahlavi é a escolha dos que querem a volta da monarquia

"No entanto, grande parte dessa melhora se deve ao fato de ter evitado confrontos diretos com os mulás e de ter evitado se apresentar como a pessoa que deve governar o Irã no futuro", analisa.

Clawson, entre outros especialistas, acredita que os Estados Unidos deveriam dar apoio material além do apoio moral para que os grupos que fazem campanha por mudanças democráticas no Irã, incluindo estudantes e outros desiludidos com os reformistas liderados pelo presidente Khatami, possam mudar o país.

Alguns dos republicanos da ala mais conservadora, em Washington, conhecidos como neoconservadores, acreditam que os protestos estudantis recentes são um sinal de que o regime está à beira de um colapso.

'Abismo'

John Calabrese, do Instituto do Oriente Médio, em Washington, é de outra opinião.

"Acho que as manifestações nas ruas e os protestos que vêm acontecendo nos últimos dois meses são mais indícios de que há um ressentimento profundo, uma grave alienação, um verdadeiro abismo, entre o regime e a população", diz Calabrese.

"Isso posto, também ficou claro pelos protestos e manifestações que o regime é inteligente, manhoso e que está pronto para usar a repressão para garantir que os protestos sejam mantidos mais ou menos sob controle", completou o especialista.

Calabrese crê que o ponto fraco dos movimentos estudantis é a sua falta de organização e de liderança. Para ele, os prospectos de uma "mudança de regime" de dentro para fora são baixos.

Por tanto, as duas principais correntes de Washington, os neoconservadores e os seus críticos, também conhecidos como realistas, discordam sobre se a "mudança de regime" deve ser a prioridade da política externa dos Estados Unidos.

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