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Análise: Planos contra o Irã dividem governo Bush
O governo Bush tem aumentado a pressão sobre os mulás (líderes religiosos) que controlam o Irã. Mas os Estados Unidos preferem uma mudança no comportamento do regime ou uma mudança de regime? Tem havido um grande endurecimento da política externa americana com relação ao Irã desde que o presidente George W. Bush disse que o país faz parte de um "eixo do mal", há 18 meses. Para o governo americano, o Irã dos aiatolás - assim como a Coréia do Norte e o Iraque de Saddam Hussein - é culpado de apoiar o terrorismo, de desenvolver armas de destruição em massa e de negar liberdade à população. Programa nuclear As evidências apresentadas recentemente sobre o programa nuclear iraniano colocaram o tema como um dos mais quentes na pauta de discussões dos que formulam a política externa em Washington. "Revelações recentes levaram as pessoas a concluir que o programa nuclear do Irã está muito mais avançado do que pensavam", disse Michael Eisenstadt, especialista em assuntos militares do Instituto de Políticas para o Oriente Próximo, de Washington. "Alguns acreditam que talvez dentro de dois ou três anos os iranianos possam ter material físsil suficiente para produzir a sua bomba. Por outro lado, há estimativas do governo americano de que isso só aconteceria perto do final da década." Eisenstadt concluiu: "Não está claro, portanto, quando o programa deve trazer frutos. O que está claro é que, se for para parar o programa, a ação tem de ser feita agora". Mas que tipo de ação? A administração Bush está dividida em dois. De um lado estão os chamados realistas, que defendem o uso de pressão diplomática sobre o Irã. Do outro lado estão os neoconservadores, que pregam a mudança de regime no país. Neoconservadores Um dos neoconservadores mais conhecidos é Joshua Muravchik, do Instituto de Empreendimentos Americanos, uma consultoria de direita. Ele relaciona a necessidade de reformas democráticas - não só no Irã como em todo o Oriente Médio - aos atentados de 11 de setembro de 2001. "Acho que o que ficou claro para os americanos em 11 de setembro foi que não devemos apenas retaliar, mas realmente desarmar essa ameaça", disse ele. Para os neoconservadores, os governos dos países do Oriente Médio devem ser substituídos por democracias, preferivelmente por meios pacíficos. Eles não descartam, porém, o uso da força. A primeira fase neste processo foi a derrubada do regime de Saddam Hussein no Iraque. Mas a agenda neoconservadora vai muito além de Bagdá, como observou Judith Yaphe, da Universidade de Defesa Nacional, de Washington. "Creio que o Irã é claramente o alvo na cabeça de muitos neoconservadores. Primeiro vamos ao Iraque, depois ao Irã, depois à Síria", disse ela. "Mas nessa lista figuram ainda a Arábia Saudita, os Estados do Golfo Pérsico e, em última instância, até o Egito. Todo o mapa do Oriente Médio teria de ser refeito com base no que o Iraque seria, ou seja, democrático." Vozes destoantes
O debate entre realistas e neoconservadores é feroz e resulta num governo que fala com vozes destoantes sobre o mesmo tema. Os neoconservadores ficam satisfeitos quando Bush se pronuncia a favor dos estudantes iranianos e suas manifestações por maior liberdade. Por outro lado, os realistas aplaudiram quando o secretário de Estado, Colin Powell, disse que o combate entre facções no Irã - entre reformistas e conservadores - é uma disputa de família sobre a qual os Estados Unidos não devem interferir. George Perkovich, da consultoria liberal Fundação Carnegie para a Paz Internacional, acha que há contradições fundamentais na formulação da política em Washington. "Há pessoas que dizem 'vamos tentar fazer um acordo com o governo iraniano para interromper o seu programa nuclear, e provavelmente teremos de dar a eles garantias de várias formas para conseguir isso´", afirmou Perkovich. "Mas há outro grupo no governo que diz, 'não lidamos com regimes satânicos, não negociamos com o governo do Irã´." Um dos principais pontos de discordância entre esses dois lados do governo americano é quanto tempo deve durar o atual regime do Irã - e quais as alternativas existentes a ele. |
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