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Irã aceita inspeções de suas instalações nucleares
O Irã concordou nesta terça-feira em suspender o seu programa de enriquecimento de urânio e afirmou que vai assinar um protocolo que abre caminho para rigorosas inspeções da ONU em suas instalações nucleares. As medidas foram anunciadas durante a visita de uma delegação ministerial da União Européia (EU), que participou de intensas negociações com autoridades iranianas em Teerã. Jim Muir, repórter da BBC em Teerã, diz que, pelo menos no papel, isso significa que o Irã vai cumprir por inteiro as exigências da agência nuclear da ONU (Organização das Nações Unidas), do bloco europeu e dos Estados Unidos. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) havia dado um prazo até 31 de outubro para que o Irã comprovasse que não está tentando construir armas nucleares. 'Cooperação total' Em um comunicado oficial, o Irã se comprometeu a oferecer cooperação total com a AIEA e disse que vai assinar o protocolo adicional ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares.
Com isso, o governo iraniano vai se juntar aos outros 80 signatários do protocolo e as instalações nucleares do país estarão sujeitas a inspeções repentinas realizadas pela agência da ONU. As autoridades iranianas afirmaram ainda que vão atender a um pedido da AIEA e vão suspender todas as atividades ligadas ao enriquecimento de urânio e ao reprocessamento de urânio combustível. "As autoridades iranianas reafirmam que armas nucleares não têm lugar na doutrina de defesa do Irã", diz o comunicado. Reação Em resposta ao anúncio, os ministros de Relações Exteriores de Alemanha, Joschka Fischer, Grã-Bretanha, Jack Straw, e França, Dominique de Villepin, reconheceram o direito do Irã "à utilização pacífica da energia nuclear". De acordo com a declaração divulgada pelos ministros europeus, caso atenda às expectativas da comunidade internacional, o Irã "pode esperar um acesso mais fácil à tecnologia moderna e a suprimentos em diversas áreas".
"Esperamos um início promissor em que todos têm o seu papel a cumprir", disse o ministro francês Dominique de Villepin. As afirmações foram reforçadas pelo ministro alemão Joschka Fischer e pelo britânico Jack Straw, que destacou a necessidade de que o Irã cumpra suas promessas. "A prova do valor (do anúncio) de hoje vai depender não apenas de palavras em um comunicado, mas acima de tudo da implementação do que foi decidido", afirmou Straw. Medida temporária O chefe do importante Conselho de Segurança Nacional do Irã, Hassan Rohani, disse que a decisão de suspender o programa de enriquecimento de urânio é uma medida temporária, com o objetivo de reforçar a confiança nas intenções pacíficas do Irã. "Nós decidimos voluntariamente fazer isso, o que significa que isso pode durar um dia ou um ano. Depende de nós", disse Rohani à agência de notícias Reuters. "Enquanto o Irã acreditar que essa suspensão é benéfica para nós, vamos continuar e, quando não quisermos mais, isso vai acabar." Rohani afirmou ainda que não acredita que o Irã assine o protocolo adicional antes de 31 de outubro, mas o documento deve ser assinado "provavelmente antes de 20 de novembro". O Irã insiste que seu programa nuclear – que inclui atividades ligadas ao enriquecimento de urânio – tem o objetivo de atender às necessidades do país no setor energético. |
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