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Relatório sobre morte de David Kelly sairá em dezembro
Os advogados que participam do inquérito que analisa as circunstâncias da morte do cientista britânico David Kelly realizaram, nesta quinta-feira, seus discursos de encerramento. No fim da sessão, o juiz Brian Hutton informou que vai entregar um relatório sobre o inquérito em dezembro, com possibilidades de antecipar para novembro. Kelly aparentemente se suicidou em meados de julho, dias depois de ser identificado publicamente como fonte de uma reportagem da BBC que sugeria que o governo havia "maquiado" um dossiê de armas sobre o Iraque com o obejtivo de reforçar a posição pró-guerra. Em seu pronunciamento desta quinta-feira, o advogado da família do cientista, Jeremy Gompertz, exigiu que seja exposta no relatório a "duplicidade" com que o governo britânico tratou Kelly antes de sua morte. 'Abuso cínico' Gompertz qualificou como "um abuso cínico de poder" a estratégia do Ministério da Defesa britânico, para quem Kelly trabalhava, e também criticou a conduta da mídia. Na mesma sessão, um procurador do governo afirmou que culpar as autoridades é "uma maneira simplificada e cruel" de defender o cientista e que o governo tinha o direito de identificar o nome de Kelly. Um dos advogados da BBC, Andrew Caldecott, defendeu a base do relatório da empresa, apesar de ter reconhecido que havia imperfeições. O jornalista Andrew Gilligan, autor da reportagem da BBC, também depôs nesta quinta-feira. Perda Gompertz disse que a nação perdeu seu maior especialista em armas biológicas e que Kelly foi usado pelo governo como parte de sua batalha com a BBC. "Não me surpreende que Kelly tenha se sentido traído depois de dedicar sua vida a serviço do país", disse ele. Ele falou que a família de Kelly não busca "vingança, indenização ou nenhum bode expiatório". Mas ele quer identificar e remediar as "falhas sistêmicas" do Ministério da Defesa. "Nunca outra pessoa deverá ser colocada na mesma posição", disse Gompertz, que apontou a maneira como Kelly foi identificado como "uma total falta de cuidado". 'Hipocrisia' Ele atacou a "hipocrisia" do governo em negar que havia uma estratégia de usar Kelly no caso do dossiê do Iraque. "Isso é um abuso cínico do poder que merece a condenação mais forte possível", afirmou. Ele também disse que, apesar de pedir desculpas por ter comparado Kelly a um personagem de ficção, o governo e o Ministério da Defesa não aceitaram que nenhuma outra crítica fosse feita quanto à conduta do governo. Sobre o repórter Andew Gilligan, Gompertz disse que não se deveria dar crédito ao depoimento do repórter, a não ser em partes que pudessem ser confirmadas por fontes independentes. A família também acredita que a mídia geralmente precisou "fazer seu jogo" durante as ameaças sofridas por Kelly e, depois de sua morte, durante o sofrimento da família. Houve críticas ao programa Today, da Rádio 4 da BBC, que teria "feito notícias em vez de simplesmente reportá-las". A família ficou "profundamente machucada e furiosa" pela declaração de um diretor do Ministério da Defesa durante o inquérito. Ele disse que Kelly cometeu um "erro fundamental" ao se encontrar com Gilligan. Já o advogado do governo salientou a "rigorosa" maneira com que o trabalho de inteligência para construção do dossiê foi feito. |
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