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Atualizado às: 22 de setembro, 2003 - 17h24 GMT (14h24 Brasília)
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Ex-assessor de Blair queria Kelly identificado, segundo diário
Alastair Campbell
Campbell discutiu o assunto longamente com Blair

O diário do diretor demissionário de comunicações do governo da Grã-Bretanha, Alastair Campbell, revelou um destempero verbal sobre como o surgimento do nome do ex-especialista em armas britânico David Kelly poderia ajudar a derrotar a BBC na disputa da emissora com a administração de Tony Blair.

A BBC veiculou em maio uma reportagem do jornalista Andrew Gilligan sugerindo que o governo havia "maquiado" o relatório sobre armas no Iraque para fortalecer a posição pró-guerra.

Kelly aparentemente cometeu suicídio dias após ser identificado pelo governo como a fonte da reportagem da BBC.

Nesta segunda-feira, Campbell depôs no inquérito que apura a morte de David Kelly. Extratos pesadamente editados dos pensamentos de Campbell em seus diários foram publicados na página de internet do inquérito enquanto ele prestava depoimento.

Os comentários foram escritos no auge da briga entre Campbell e a BBC sobre alegações de que o governo havia "maquiado" o dossiê.

O chefe da mídia do gabinete do primeiro ministro, Tony Blair, escreveu em 4 de julho que se Kelly fosse a fonte da reportagem, "isso iria f... com" o repórter da BBC Andrew Gilligan, pois Kelly não era "um espião ou um funcionário do Ministério de Defesa em tempo integral".

'Especialista'

A anotação no diário do dia 4 de julho de 2003 conta como o ministro da Defesa, Geoff Hoon, revelara que um funcionário do ministério tinha contado que se encontrara com Gilligan.

O funcionário, agora conhecido como sendo Kelly, afirmou que tinha dito a Gilligan que informações de inteligência tinham sido inseridas no dossiê contra o Iraque, mas não o resto das alegações da reportagem - como por exemplo que Campbell tinha incluído o material contra os desejos dos serviços de inteligência.

"Era uma faca de dois gumes mas GH (Geoff Hoon) e eu concordamos que se ele era a fonte, isso iria f... com Gilligan".

"Ele disse que era um especialista e não um espião ou um funcionário em tempo integral do Ministério da Defesa".

Preocupado

Campbell sentou no banco de testemunhas nesta segunda-feira depois que Hoon insistiu que ainda acreditava que o governo não fizera nada de errado nos dias que antecederam a morte de Kelly.

O diário diz que Campbell passou a maior parte do fim de semana seguinte ao surgimento de Kelly como testemunha em conversas com Blair e Hoon sobre a fonte da BBC.

Diz que Hoon queria revelar que a fonte tinha se apresentado para dizer que Gilligan tinha deturpado o que ela dissera.

Blair, no entanto, estava preocupado porque o comissão de assuntos estrangeiros da Câmara dos Comuns - que estava investigando o caso - deveria ser informado da notícia.

'Vitória clara'

A anotação do diário no dia 6 de julho diz: "Eu queria, e GH fez, contar aos membros do conselho administrativo da BBC que nós sabiamos quem era a fonte, que ele não era um espião, não estava envolvido com o dossiê de armas de destruição em massa e era um especialista nessas armas que assessorava ministérios".

"TB (Tony Blair) concordou, mas recuou depois de falar com (Sir David) Omand (chefe de inteligência do gabinete) que achava que o cara tinha que ser tratado adequadamente e entrevistado novamente. GH e eu sentimos que estávamos perdendo a oportunidade".

"Minha preocupação era que eu queria uma vitória clara e não um empate confuso".

Sugestões

Campbell tem negado insistentemente as alegações de que ele tranformara o dossiê na semana anterior à publicação.

Ele argumentou que algumas de suas sugestões sobre a apresentação do dossiê reforçaram e outras enfraquecerem o texto. Mas a intenção era dar maior clareza.

Perguntas vêm sendo feitas sobre o por que Campbell não disse à comissão de parlamentares sobre todos os pontos que ele discutiu com John Scarlett (chefe da Comissão Conjunta de Inteligência).

Um dos itens que ele deixou de fora está relacionado à controversa alegação de que o Iraque poderia empregar algumas armas de destruição em massa em apenas 45 minutos.

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