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Atualizado às: 19 de agosto, 2003 - 18h21 GMT (15h21 Brasília)
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Assessor de Blair nega ter 'maquiado' dossiê sobre Iraque
Alastair Campbell, diretor de comunicações do gabinete de Tony Blair
Campbell nega que o dossiê sobre o Iraque tenha sido incrementado

Alastair Campbell, o diretor de comunicações do gabinete do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse nesta terça-feira que não teve influência na inclusão de uma informação crucial sobre o perigo representado pelo Iraque em um dossiê sobre o país.

Campbell prestou depoimento na comissão de inquérito que apura os fatos que levaram ao aparente suicídio de David Kelly, um especialista em armas que trabalhou para o governo britânico e que foi encontrado morto em julho.

Kelly foi a principal fonte de uma matéria da BBC que acusou representantes do governo britânico de incrementar o dossiê, com o objetivo de obter maior apoio da população à ofensiva militar contra o Iraque, neste ano.

Mas Campbell negou qualquer responsabilidade pela inclusão, no documento, da informação de que o Iraque poderia ativar armas de destruição em massa em 45 minutos.

Serviços de inteligência

No seu depoimento, Campbell disse que a informação foi incluída em um esboço produzido pelos serviços de inteligência iraquiano e que ele não teve influência nisso.

O diretor de informações do gabinete de Tony Blair também disse que divulgou um memorando em que enfatizou que nenhuma informação incluída no dossiê poderia ser divulgada sem o consentimento dos serviços de inteligência.

Ele divulgou um memorando enviado em nove de setembro ao presidente do Comitê Conjunto de Inteligência, John Scarlett, em que diz que “nada deve ser publicado sem que você e eles (outros funcionários do serviço de inteligência) estejam 100% satisfeitos”.

“Eu enfatizei que a credibilidade do documento dependia fundamentalmente do fato de ele ser um trabalho do Comitê Conjunto de Inteligência”, disse Campbell.

O diretor de comunicações do gabinete de Tony Blair é a figura de mais alto escalão do governo britânico a depor até agora no chamado Inquérito Hutton.

Nesta sessão desta terça-feira, ele respondeu a perguntas que tentaram esclarecer como foi o processo de produção do dossiê, nos bastidores do governo britânico.

Páscoa

Ele disse que um primeiro esboço de dossiê foi descartado na época da Páscoa no ano passado, porque, segundo ele, o documento “não era terrivelmente bom”.

Posteriormente, em cinco de setembro, Campbell teria participado de uma reunião em que o relatório foi discutido, e quanto ele teria pedido que o dossiê fosse “revelador, novo e informativo”.

No entanto, o diretor de informações da ONU disse que a alegação sobre os 45 minutos só foi vista por ele, pela primeira vez, em dez de setembro.

O depoimento de Campbell ocorreu um dia depois da divulgação de e-mails de Campbell e do chefe de Gabinete de Tony Blair, Jonathan Powell, sobre o conteúdo do dossiê.

Um deles, de cinco de setembro, endereçado por Campbell para Powell, o diretor de informações do gabinete de Blair disse que o dossiê deveria ser “substancialmente reescrito”.

Em outro e-mail, de 17 de setembro, endereçado para o Comitê de Inteligência Britânico com cópia para Campbell, Powell disse que o dossiê era “bom e convincente, para aqueles preparados para ser convencidos”.

A divulgação do documento se daria no dia 24, durante um discurso de Tony Blair no Parlamento britânico.

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