|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Editor da BBC admite falhas em reportagem sobre dossiê
Os responsáveis pelo inquérito que investiga a morte do especialista em armas britânico David Kelly apresentaram nesta terça-feira um e-mail em que um editor da BBC criticava a reportagem do jornalista Andrew Gilligan sobre o dossiê de armas do Iraque apresentado pelo governo britânico. Na mensagem, Kevin Marsh – editor do programa Today, o mesmo que veiculou a reportagem de Gilligan – dizia ao chefe de radiojornalismo da BBC que o material era "uma boa peça" de jornalismo investigativo, "prejudicada por falhas" na apresentação das informações. "Nosso maior problema é um uso descuidado da língua e a falta de julgamento em parte de sua fraseologia", dizia o e-mail de Marsh sobre a reportagem de Gilligan. A mensagem sugeria que os problemas poderiam ser um sintoma da "relação distante e livre" de Gilligan com o programa Today. Reação Questionado sobre a mensagem, durante depoimento na Corte Real de Justiça, em Londres, Gilligan disse que acreditava que o comentário não era "uma análise inteiramente justa". De acordo com o repórter, o e-mail foi escrito um mês depois da transmissão da reportagem e foi a única vez em que Marsh expressou preocupação com a repercussão do assunto. Durante a audiência desta terça-feira, os responsáveis pelo inquérito ouviram uma gravação da reportagem de Gilligan para o programa Today. O jornalista diz que acredita ter feito pelo menos 19 participações em programas da BBC para falar do dossiê de armas do Iraque. De acordo com Gilligan, a participação no programa Today foi feita "ao vivo e sem script", a partir de sua própria casa. O jornalista também foi questionado sobre a frase que utilizou no programa ao dizer que "o governo provavelmente sabia que a figura dos 45 minutos (alegação incluída no dossiê de que o Iraque poderia lançar um ataque em 45 minutos) era errada". "Olhando para isso agora, com uma visão retrospectiva, acho que vocês sabem que o que eu disse não estava errado, mas também não era perfeito", admitiu Gilligan. O repórter disse, no entanto, que essa foi a única vez em que utilizou essa frase para se referir às dúvidas quanto à alegação incluída no dossiê. Fonte Andrew Gilligan reafirmou que o cientista David Kelly foi a principal fonte de sua reportagem. O jornalista entregou uma cópia de todas as suas anotações sobre seus encontros com Kelly para o inquérito que investiga a morte do cientista. O repórter disse que se encontrou com Kelly pela primeira vez no começo de 2001. Gilligan afirmou que o cientista foi recomendado como uma possível fonte por um colega da BBC, que tinha o nome de Kelly em seu arquivo de contatos desde 1998. O jornalista afirmou que se lembrava de apenas três encontros "cara a cara" com o cientista. "Ele era realmente muito aberto e disposto a ajudar. O doutor Kelly realmente me cativou. Ele queria compartilhar seu conhecimento. De uma maneira curiosa, ele era quase um professor", disse o repórter da BBC. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||