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Caso Kelly: Dossiê era visto com 'reservas'
Dois funcionários do ministério da Defesa britânico também compartilhavam as dúvidas sobre o teor da linguagem usada pelo governo da Grã-Bretanha na sua argumentação pela guerra contra o Iraque, de acordo com Martin Howard, subchefe da inteligência de defesa do órgão. As declarações de Howard foram feitas nesta segunda-feira durante seu depoimento no inquérito sobre a morte do perito David Kelly, que teria cometido suicídio depois de ter sido citado como fonte de uma reportagem da BBC que sugeria que os dados de inteligência teriam sido "transformados" por ordens do governo britânico. Howard afirmou que os dois funcionários estavam preocupados com a forma – não com o conteúdo – que seria divulgado no dossiê do governo sobre armas no Iraque. O documento, publicado em setembro do ano passado, afirmava que o Iraque poderia lançar um ataque com armas de destruição em massa em apenas 45 minutos. Morte O inquérito, conduzido pelo juiz Lord Hutton, foi determinado pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, para examinar a seqüência de acontecimentos que culminou com a morte de Kelly. Richard Hatfield, diretor de pessoal do ministério da Defesa e chefe imediato de Kelly, afirmou em seu depoimento que o cientista havia sido autorizado a falar com a imprensa, mas que havia "se afastado" das regras do governo quando conversou com o analista de Defesa da BBC, Andrew Gilligan. Já o chefe da equipe de auditoria, Julian Miller, afirmou que a alegação sobre os 45 minutos foi acrescentada nos dias 10 ou 11 de setembro do ano passado. O dossiê foi publicado no dia 24 de setembro. Miller disse que o dossiê não foi "transformado" por ordens de Alastair Campbell, chefe da assessoria de imprensa do governo. "Não acredito que tenha havido transformação na semana que antecedeu a publicação e, certamente, mudanças como a inclusão da referência aos 45 minutos não teriam nada a ver com o gabinete de Blair", disse. "Isso foi incluído porque a inteligência o detectou." Linguagem Howard dissera, anteriormente, no inquérito, que "dois indivíduos expressaram reservas sobre a linguagem" do dossiê de setembro. Ele disse que as reservas, feitas formalmente, diziam respeito ao uso da linguagem – sobre se o dossiê deveria dizer que "informações de inteligência indicam" ou "informações de inteligência apontam" ou "informações de inteligência mostram". "Não havia reservas sobre se os dados deveriam ou não ser incluídos, apenas sobre como eles deveriam ser descritos", completou. Esses funcionários trabalham no serviço de inteligência de defesa, segundo Howard. Também foi apresentado à comissão um e-mail cujo destinatário e autor foram apagados, de 10 de setembro de 2002, que cita reservas expressadas pelo próprio Kelly sobre a afirmação de que os inspetores de armas da ONU não teriam conseguido encontrar 20 toneladas de agentes biológicos no Iraque. O e-mail diz ainda "a forma não está errada, mas está bastante 'esquentada' ". Hatfield também disse que "efetivamente era parte das atribuições de Kelly" conversar com a imprensa. No entanto, ele não estava autorizado a discutir informações secretas ou "questões politicamente controversas". David Kelly, que morreu com 59 anos, era um microbiologista formado em Oxford que foi conselheiro do Ministério da Defesa Britânico por mais de três anos. Especialista em controle de armas, ele trabalhou como inspetor no Iraque de 1991 a 1998. |
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