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Blair terá que depor em inquérito sobre caso Kelly
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, terá que prestar depoimento no inquérito, inaugurado nesta sexta-feira, para apurar as circunstâncias envolvendo a morte do cientista britânico, David Kelly. O juiz Lorde Hutton, que preside as investigações, apresentou um resumo dos eventos até agora e descreveu como irá trabalhar, durante uma apresentação para a imprensa. Além de Blair – que ordenou a abertura do inquérito – deverão ser solicitados ainda funcionários do serviço de inteligência do governo, diretores e jornalistas da BBC e membros da família do cientista. Segundo a polícia, Kelly cometeu suicídio dias após ter deposto perante uma Comissão Parlamentar de Inquérito que analisa se o governo exagerou ou não em trechos de um dossiê de inteligência que serviu para justificar a guerra no Iraque. Kelly foi convocado como testemunha após ter sido apontado pelo governo britânico como a fonte de uma reportagem da BBC que sugeria que a declaração do governo de que o ex-presidente iraquiano, Saddam Hussein, poderia ativar armas de destruição em massa em 45 minutos não procedia. Lorde Hutton disse que a maioria das audiências será conduzida em público, mas outra parte do inquérito ficará longe das câmeras de TV e demais representantes da imprensa. Hutton prometeu concluir o inquérito o mais rápido possível. O juiz disse que existem evidências para sugerir que Kelly realmente se matou. Hutton disse ainda que o público precisa saber com detalhes as circunstâncias que culminaram na morte do cientista. 'Forte tensão' O magistrado atuou como chefe da Suprema Corte na Irlanda do Norte e tem vasta experiência em presidir casos politicamente sensíveis. Após a morte de Kelly, a família do cientista afirmou que ele estava sob forte tensão depois de ter sido interrogado pela comissão parlamentar de inquérito. Na ocasião, o ex-inspetor negou ter sido a única fonte a BBC, apesar de ter confirmado uma conversa com o jornalista e autor da reportagem, Andrew Gilligan e de ter reconhecido que poderia ter contribuido para 60% do material. David Kelly, um microbiólogo formado na renomada Universidade de Oxford, estava trabalhando como conselheiro científico para o secretariado de proliferação e controle de armas havia mais de três anos. Ele atuou ainda como inspetor de armas da ONU no Iraque depois da Guerra do Golfo, entre 1991 e 1998. O cientista, que morreu aos 59 anos, era casado e tinha três filhas. |
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