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Atualizado às: 22 de setembro, 2003 - 13h19 GMT (10h19 Brasília)
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Ministro britânico admite imprecisão em dossiê
O ministro da Defesa da Grã-Bretanha, Geoff Hoon
Esse foi o segundo depoimento de Hoon no inquérito que apura circunstâncias da morte de David Kelly

O ministro da Defesa da Grã-Bretanha, Geoff Hoon, disse saber que a afirmação de que o Iraque poderia acionar armas de destruição em massa em 45 minutos, contida em um relatório do governo, não se referia a mísseis de longa distância.

A revelação de Hoon foi feita em seu depoimento, nesta segunda-feira, no chamado Inquérito Hutton, que investiga as circunstâncias da morte de David Kelly, consultor para armas do governo britânico.

Kelly teria aparentemente cometido suicídio depois que o seu nome foi revelado como sendo a fonte de uma reportagem da BBC, em que o governo britânico foi acusado de maquiar o relatório do Iraque para conquistar mais apoio popular a uma ofensiva militar contra o país.

No relatório, a alegação dos "45 minutos" não traz qualquer referência explícita a que tipo de arma ela se refere.

Armas normais

Questionado pelo conselheiro de defesa da BBC no inquérito, contudo, Hoon revelou que sabia que a afirmação se referia a armas usadas em combates normais, como bombas, não a mísseis de longa distância – que poderiam, eventualmente, ser disparados contra alvos britânicos.

De acordo com a jornalista da BBC Jane Peel, que acompanhou o depoimento de Hoon, o conselheiro de Defesa da BBC sugeriu que o governo não deixou claro no relatório a que armas a alegação dos “45 minutos” se referia por fins políticos.

Em outro momento do depoimento de Hoon, ele reconheceu que aprovou o processo que levou à divulgação do nome de David Kelly como sendo a fonte da reportagem da BBC.

O conselheiro da família de Kelly no inquérito sugeriu que o governo elaborou uma estratégia que previa a divulgação do nome de Kelly.

Hoon, porém, negou que a divulgação tenha sido premeditada de alguma forma, negando a existência de qualquer conspiração nesse sentido.

O ministro também voltou a defender a conduta do governo, afirmando que foi certo revelar o nome de Kelly depois que começou a circular na imprensa a teoria de que ele havia sido a fonte da reportagem da BBC.

Esse foi o segundo depoimento do ministro da Defesa britânico no Inquérito Hutton.

O Inquérito deve ser encerrado na quinta-feira, e suas conclusões devem ser publicadas depois de outubro.

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