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Atualizado às: 15 de setembro, 2003 - 17h38 GMT (14h38 Brasília)
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Diretor-geral da BBC critica repórter ao depor no caso Kelly
O diretor-geral da BBC, Greg Dyke
Greg Dyke: e-mails de Gilligan são "inadmissíveis"

O diretor-geral da BBC, Greg Dyke, disse que eram "inaceitáveis" os e-mails enviados pelo jornalista da empresa, Andrew Gilligan, a um parlamentar britânico que participava de uma comissão de inquérito para determinar se o governo teria alterado ou não um dossiê sobre armas no Iraque.

Nesta segunda-feira, Dyke prestou depoimento ao inquérito que apura as circunstâncias da morte do especialista em armas do governo David Kelly, apontado como a fonte de uma reportagem da BBC que sugeria que o governo havia "maquiado" o dossiê com o objetivo de reforçar a posição pró-guerra.

O autor da reportagem, Gilligan, enviou um e-mail a um integrante da comissão de Assuntos Externos do Parlamento britânico dando a entender que Kelly havia sido a fonte das reportagens de outra jornalista da BBC, Susan Watts, que relatou preocupações dentro do governo com o dossiê.

"Não é um e-mail aceitável para se enviar a membros da comissão... ele (Gilligan) não tinha como saber qual era a fonte de Watts, nem poderia ter enviado isso", disse Dyke durante o depoimento na Corte Real de Justiça em Londres.

Escolha de palavras

David Kelly aparentemente cometeu suicídio dias após ter sido identificado pelo governo publicamente como a fonte da reportagem de Andrew Gilligan, transmitida no programa Today, na Rádio 4 da BBC.

Dyke também disse que desejava ter determinado uma investigação completa sobre o assunto, antes de dar uma resposta às reclamações feitas pelo governo sobre a reportagem de Gilligan.

Depois de ter procurado saber a procedência da matéria jornalística, Greg Dyke ouviu de funcionários da BBC que esta era "sólida e bem fundamentada".

Ele disse que não havia verificado a escolha de palavras de uma das reportagens sobre o assunto até "várias semanas" depois.

Dyke estava se referindo à afirmação de Gilligan segundo a qual o governo provavelmente sabia que um dos pontos do dossiê estava errado quando a informação foi incluída no documento.

Gilligan disse ao inquérito que a linguagem que ele havia usado nas reportagens não era perfeita.

A comissão de inquérito retomou os trabalhos depois de uma pausa de 10 dias com a notícia de que o secretário de Defesa, Geoff Hoon, o ex-secretário de Comunicação do gabinete do primeiro-ministro, Alastair Campbell e Andrew Gilligan estão entre as testemunhas desta segunda fase.

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