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Atualizado às: 12 de setembro, 2003 - 15h26 GMT (12h26 Brasília)
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Negociadores defendem legado dos acordos de paz de Oslo

Rabin, Clinton e Arafat, na cerimônia de assinatura dos acordos de Oslo
Clinton promoveu o histórico aperto de mão entre Rabin e Arafat

Os trágicos eventos desta semana no Oriente Médio destacam o contraste existente entre a situação política atual e aquela por que passava a região há uma década.

Neste sábado, 13 de setembro, completam-se dez anos da assinatura dos acordos de paz de Oslo, que previam o fim do conflito entre Israel e os palestinos.

Apesar do fracasso do processo de paz, porém, nem todos aceitam jogar na lata de lixo da história os avanços dos diálogos dos anos 90.

Entrevistados pela BBC Brasil, negociadores dos acordos de Oslo disseram que, quando "a sanidade voltar" ao Oriente Médio, os diplomatas terão de continuar do ponto em que tudo foi abandonado.

Sem alternativa

"Todos os que criticam o processo de Oslo nunca propõem uma alternativa pragmática e realista", declarou Yossi Beilin, à época vice-chanceler de Israel.

Beilin foi um dos primeiros, em 1992, a se encontrar secretamente com palestinos na capital norueguesa. "Não é difícil criticar um acordo de paz ou um evento político. É muito mais difícil sugerir uma alternativa", observa.

O peso político do documento assinado em 1993 é destacado também pelo historiador israelense Ron Pundak, também um dos pioneiros do diálogo secreto em Oslo.

Yossi Beilin
Beilin, negociador israelense dos acordos com os palestinos

"Apesar de todos os desvios que ocorreram desde então, o Acordo de Oslo definiu diretrizes que são válidas e internacionalmente reconhecidas até hoje", afirma Pundak.

Após negociações na capital da Noruega, Israel e a Organização para Libertação da Palestina (OLP) formularam um documento, a Declaração de Princípios, em que reconheciam-se como parceiros num processo de paz.

Os palestinos reconheciam o direito de existência do Estado de Israel. O governo israelense, por sua vez, aceitou a criação de um governo autônomo, a Autoridade Palestina, responsável inicialmente pela gestão pública da faixa de Gaza e de partes da Cisjordânia.

As questões mais espinhosas - refugiados, assentamentos judaicos, o futuro de Jerusalém -, que poderiam provocar o fracasso prematuro do diálogo, foram deixadas para o final.

"Esse processo teve um grande problema, que é o fato de ter pressuposto a existência de boa fé das duas partes", explica Hassan Abu Libdeh, palestino presente nas negociações que ajudou a redigir os acordos de Oslo.

"A falta de boa fé levou em parte à situação que sofremos hoje", acrescenta Abu Libdeh, atualmente presidente do Escritório Central de Estatísticas da Autoridade Palestina.

"A grande lição que aprendi é que não devemos adotar caminhos ambíguos e pressupor que ambos os governos vão seguir nesse caminho."

O fracasso

De fato, os compromissos adotados no papel em Oslo não se concretizaram na prática. Enquanto Israel postergava suas retiradas militares, as forças de segurança da Autoridade Palestina pouco faziam para conter os ataques dos militantes islâmicos do Hamas e Jihad Islâmico contra civis israelenses.

Em 1995, Yitzhak Rabin, primeiro-ministro de Israel que, ao lado do palestino Yasser Arafat, assinou os acordos de Oslo, foi assassinado por um extremista judeu.

A subida ao poder do líder da oposição, Binyamin Netanyahu, só complicou mais um processo que já era alvo de forte oposição interna nas duas populações.

"Tenho certeza de que (se Rabin ainda estivesse vivo) tudo teria sido diferente", opina Abu Libdeh. "Ele se movimentou numa direção que era visionária para o Estado de Israel, baseada na idéia de fazer algumas concessões, tendo em vista os direitos dos palestinos."

Palestinos levam bandeiras do Hamas
Fim do processo de paz ajudou a aumentar popularidade do Hamas

A volta ao governo israelense do Partido Trabalhista, com a eleição de Ehud Barak em 1999, trouxe novamente a esperança de uma solução pacífica.

Em 2000, porém, Barak e Arafat não chegaram a um acordo num encontro de cúpula em Camp David promovido pelo presidente americano Bill Clinton.

A segunda intifada (levante contra a ocupação) palestina começou logo depois, facilitando a volta ao poder do partido de direita Likud, dessa vez tendo como premiê Ariel Sharon.

Atualmente líder do Meretz, um partido pacifista, Yossi Beilin diz ter aprendido uma lição essencial com o fracasso de Oslo: a urgência de se tomar medidas para avançar a paz.

"Se houver uma oportunidade, não espere, porque amanhã pode ser tarde demais."

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