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Atualizado às: 12 de setembro, 2003 - 11h07 GMT (08h07 Brasília)
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EUA pressionam, mas Israel insiste em expulsar Arafat
Yasser Arafat
O líder palestino Yasser Arafat jogou beijos à multidão

O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Daniel Kurtzer, se reuniu com o ministro da Defesa do país, Shaul Mofaz, para deixar claro que Washington desaprova os planos israelenses de expulsar o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, dos territórios palestinos.

Em declarações antes do encontro, Kurtzer disse que a expulsão de Arafat – aprovada nesta quinta-feira numa reunião de emergência – não ajudaria em nada nas tentativas de relançar o processo de paz na região.

Ao lado de Kurtzer, Mofaz, no entanto, insistiu que Israel vai tomar medidas contra Arafat – a quem o país acusa de sabotar os esforços pela paz.

Segundo a agência de notícias Associated Press, a ministra da Educação Limor Livnat foi ainda mais categórica, ao dizer que Israel "não recebe ordens dos Estados Unidos".

Mundo árabe

A decisão israelense também foi repudiada por países árabes, pela União Européia e pela Rússia, entre outros.

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, fez um apelo para que Israel não leve seus planos adiante, argumentando que Arafat é crucial para o processo de paz na região.

O ministro da Informação da Jordânia, Nabil al-Sharif, por sua vez, disse à agência de notícias Reuters que expulsar Arafat seria um "erro grave".

Nos territórios palestinos, a notícia de que Israel estaria prestes a expulsar Arafat para o exílio foi recebida com revolta.

O correspondente da BBC em Jerusalém James Reynolds afirma que Washington teme que esse sentimento reverbere pelo mundo islâmico e comprometa a política externa americana.

No entanto, segundo Reynolds, Israel não deve expulsar Arafat imediatamente, lembrando que essa idéia vem sendo debatida há anos em Israel.

Até agora, Ariel Sharon havia se oposto à idéia, mas depois dos dois ataques suicidas de terça-feira, parece que o primeiro-ministro mudou de opinião.

A decisão foi tomada justamente em uma reunião de gabinete convocada por Sharon para definir a resposta a esses atentados.

Recado a Korei

Segundo Reynolds, a decisão israelense pode ter sido um esforço para mostrar ao primeiro-ministro palestino indicado, Ahmed Korei, que ele deve se distanciar de Arafat.

Korei – atualmente o líder do Parlamento palestino – concordou em substituir Mahmoud Abbas no cargo de primeiro-ministro, mas ele ainda não foi aprovado pelo legislativo nem escolheu um gabinete.

Mas Korei – também conhecido como Abu Allah – já manifestou o seu apoio a Arafat, dizendo que ele está abandonando as tentativas de formar um governo.

"A decisão israelense (se implementada) acabaria com qualquer chance de paz e de gerar segurança na região", afirmou em um comunicado.

De qualquer forma, afirma o correspondente, a atitude mostra que Israel resolveu suspender de vez os esforços para manter o mais recente plano de paz.

Revolta palestina

O repórter da BBC em Ramallah Richard Miron disse que, ao ouvir a decisão, pessoas de todas as idades se juntaram ao redor do complexo de Arafat, balançando bandeiras em favor de seu líder.

Eles gritavam palavras de apoio a Arafat e de insultos ao primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon.

Em uma demonstração de apoio, uma grande multidão se aglomerou ao redor do complexo de Arafat em Ramallah.

Houve cenas semelhantes na Faixa de Gaza, onde milhares foram às ruas para protestar contra a decisão.

Arafat, por sua vez, disse à multidão que se formou em frente ao seu complexo que não irá para o exílio.

O movimento Fatah pediu para que palestinos guardem complexo de Arafat

"Vocês são um povo valente, meus amados. Abu Amar permanecerá aqui", disse Arafat usando o outro nome pelo qual é conhecido entre os palestinos.

"Vocês são aqueles que são capazes de responder a essa ameaça de Israel", afirmou o líder palestino.

Autoridades palestinas mandaram um aviso para que o governo israelense não vá em frente com a decisão, descrevendo as possíveis consequências como catastróficas.

O movimento Fatah, de Yasser Arafat, pediu para que os palestinos montem guarda no complexo do líder para evitar qualquer tentativa de Israel de retirá-lo a força.

"É verdade que os palestinos não têm tanques, mas eles têm a determinação para resistir à decisão de Israel", disse o integrante do Fatah Ahmed Ghneim.

Mudança

Embora sempre tenham sido bastante tensas, as relações entre o governo israelense e o presidente da Autoridade Palestina se deterioraram de vez em dezembro de 2001, quando o Exército de Israel isolou Arafat em seu complexo em Ramallah.

À ocasião, o governo israelense declarou que Arafat tinha se tornado irrelevante e deixou clara sua determinação de ignorá-lo ao máximo.

Ainda não está claro quando e como a decisão de expulsar Arafat seria concretizada.

Um comunicado divulgado pelo gabinete israelense afirma que Arafat é um "obstáculo para a paz" que Israel tem de remover.

Mas o gabinete acrescentou que iria agir de uma forma e em um momento a serem definidos mais tarde. Foi feito um pedido para que o Exército estabelecesse as opções de expulsão.

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