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Reunião em Londres foi 'esforço franco' para desatar Rodada Doha, diz Amorim | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A minirreunião dos chefes das negociações de comércio global, realizada em Londres na sexta-feira e neste sábado, foi, segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, "muito construtiva". "Deu para se ver que as traduções das dificuldades políticas em termos técnicos requerem mais trabalho do que se imaginava", disse o chanceler brasileiro. O resultado do encontro, na prática, não teve avanços – e isso já era aguardado. "Eu não esperava nenhuma proposta específica. Foi um esforço franco de buscar entender questões e limites", comentou. A pauta do encontro foi dominada pelos temas agrícolas, considerados "cruciais" para desatar o nó da Rodada Doha, para a liberalização comercial, parada há três anos. Sobre o resultado preliminar favorável ao Brasil no caso do algodão na Organização Mundial do Comércio (OMC), o ministro disse que não se tratou do assunto. "Foi uma conversa muito cordial", comentou Amorim. O encontro informal foi organizado pelo representante do Comércio dos Estados Unidos, Robert Zoellick, que, durante a semana, prometeu apelar contra a decisão do painel da OMC. Solução Além de Amorim e Zoellick, também estiveram presentes o comissário da União Européia para o Comércio, Pascal Lamy, e os ministros do Comércio da África do Sul, Alec Erwin, e do Quênia, Mukhisa Kituyi. As discussões envolveram, principalmente, os três pilares da agricultura: subsídios internos, subsídios à exportação e acessos a mercado. Na área de subsídios à exportação, por exemplo, se discutiu como a União Européia pode se utilizar do paralelismo, isto é, o acompanhamento dos americanos com as mesmas medidas, sem obstruir o avanço das negociações comerciais. Mas nada foi registrado no papel. "Não houve negociação. Não houve nenhuma tentativa de rabiscar uma solução", disse o chanceler. "Na reunião deste sábado, que durou cinco horas, fizemos esclarecimentos mais técnicos do que políticos." "Foi um passo adiante para esclarecer pontos e para evitar também que você continue perseguindo caminhos que, às vezes, não vão dar em lugar nenhum." Amorim reconhece que ainda há "um longo caminho a percorrer" e que todos presentes se comprometeram a levar avanços para a reunião de Paris, da Organização Para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na segunda semana de maio. A idéia é ter um arcabouço, com as linhas básicas para as negociações, até julho, quando acontece a reunião do Conselho Geral da OMC. "Discutimos a importância de ter uma data crível que dê credibilidade ao processo", disse Amorim. "Há certamente empenho de todos, o que acho muito positivo. Não tem ninguém ali fazendo um joguinho para dificultar." |
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