BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 29 de abril, 2004 - 10h38 GMT (07h38 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
UE ampliada terá mais força para defender subsídios, alerta analista

Símbolo da União Européia
Maioria dos novos membros é do Leste Europeu
Apesar do impacto pequeno no fluxo comercial, a ampliação da União Européia (UE), a partir de 1º de maio, deve aumentar o poder político do bloco em favor dos subsídios agrícolas e prejudicar a posição brasileira de redução do protecionismo dos países desenvolvidos.

A avaliação é do especialista em comércio internacional Marcos Jank, presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone). Estudos da entidade mostram que o Brasil vende muito pouco para os novos membros da União Européia, que já têm acesso privilegiado ao mercado europeu através de cotas que nem são totalmente cumpridas, por falta de produção ou descumprimento de normas sanitárias.

Mas Jank diz que, em 5 ou 10 anos, esses países podem aumentar sua produção, com investimentos provenientes dos países mais ricos, se tornar mais eficientes e ocupar uma fatia maior do comércio dentro do bloco.

"O efeito mais danoso pode vir da posição política que esses países vão assumir dentro da União Européia, contrária à abertura e às mudanças na OMC", afirma.

Protecionismo

Agora que também terão acesso ao polpudo cofre de subsídios agrícolas europeu, de US$ 50 bilhões por ano, ele acha que os países agrícolas do Leste Europeu não vão se interessar em combater o protecionismo.

"Não consigo imaginar Polônia, Hungria, República Tcheca apoiando uma abertura da União Européia para os produtos agrícolas do Mercosul", diz Jank.

Ele lembra que a Hungria, até 1986, era membro do Grupo de Cairns e brigava pelo livre comércio e o fim do protecionismo agrícola. "Agora ela vai se beneficiar desses subsídios", afirma.

Os subsídios agrícolas, divididos hoje entre os 15 países do bloco, serão divididos entre os 25 a partir do próximo mês, com os novos integrantes recebendo inicialmente uma parcela menor do bolo.

O Brasil também enfrenta restrições sanitárias para exportar carne suína para a União Européia, que compra a maior parte do que consome dos países que se juntarão à UE neste fim de semana.

A União Européia compra carne bovina de regiões brasileiras livres da febre aftosa, mas não aceita o mesmo critério de distribuição regional para a carne suína e veta a compra da carne de todo o país.

Segundo Jank, isso acontece porque a região precisa importar carne bovina para completar a produção local, mas o mesmo não acontece com a carne suína.

UE-Mercosul

Os representantes da União Européia e do Mercosul devem trocar as propostas dos benefícios comerciais que um bloco dará ao outro numa reunião na próxima semana, em Bruxelas.

Jank está pessimista com o rumo das negociações, que deveriam estar concluídas até outubro deste ano.

"Tenho impressão de que o cenário está se desenhando para um impasse, com mais um ou dois meses para fazer andar em outras reuniões, ou para um acordo muito tímido", diz Jank.

"O Mercosul vai oferecer muito menos do que a UE quer, e eles também vão oferecer muito menos do que nós queremos. E a timidez deles será na agricultura, já que devem oferecer cotas, muito inferior ao que nós queremos", afirma.

A Nova Europa
Conheça os dez países que farão parte da União Européia.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade