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Protecionismo de ricos é entrave ao Brasil, diz Ricupero | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O protecionismo dos países ricos é um dos maiores entraves ao desenvolvimento de nações como Brasil e Argentina, segundo Rubens Ricupero, secretário-geral da Unctad (Agência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento). Esse foi um temas que Ricupero tratou na palestra O Comércio como Saída para a Pobreza, realizada nesta segunda-feira na London School of Economics, em Londres. Na palestra, promovida pela Brazilian Society da LSE, o secretário-geral afirmou, no entanto, que a situação de Brasil e Argentina é privilegiada se comparada à de países da África subsaariana. "O caso dos africanos é muito mais grave, porque muitas vezes eles não têm produtos para exportar. Nosso problema são as barreiras em setores em que somos competivivos, como agricultura e pecuária", disse Ricupero à BBC Brasil. "O Brasil é imbatível em produtos como carne, açúcar e suco de laranja, que são superprotegidos tanto nos Estados Unidos como na Europa. Esses países, embora muito ricos e embora falem muito em liberalizar o comércio, não querem liberalizar nada nesses campos." Crise política No entender do ex-ministro da Fazenda, as recorrentes crises políticas do Brasil têm efeito colateral sobre a economia, mas não são um fator preponderante. No entender de Ricupero, nem mesmo a mais recente, causada pelas acusações de que o ex-assessor de Assuntos Parlamentares do Planalto Waldomiro Diniz teria feito tráfico de influência e dado propina a um bicheiro, pode trazer danos concretos. "A instabilidade política, claro, interfere sempre. Mas hoje o quadro é melhor do que já foi no passado. Não se pode esperar a estabilidade para começar a agir. Vivemos um bom momento da integração entre Argentina e Brasil e espero que isso prossiga", afirma. Segundo Ricupero, outra barreira ao desenvolvimento dos países da América do Sul é a ausência de contato territorial entre eles. "O Brasil tem muito mais facilidade de contato com os Estados Unidos do que com seus vizinhos. Qualquer contato por terra com Peru, Colômbia ou Venezuela é custoso, difícil e demorado. E não se pode ter comércio sem transporte e comunicações." De acordo com o secretário-geral, "é absurdo que o Brasil tenha chegado a 2004 só tendo transporte territorial razoável com Paraguai e Uruguai". Ricupero considera vital para o desenvolvimento da região que os países da América do Sul tenham não só integração territorial, mas também comércio energético. "O Brasil importa muita energia, como petróleo, gás. O ideal é que importe dos vizinhos, para dar volume ao intercâmbio." |
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