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Proposta européia não mudará posição do Brasil na OMC, diz Graça Lima | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O embaixador brasileiro para a União Européia (UE), José Alfredo Graça Lima, afirmou que o Mercosul não aceitará condições que vinculem a negociação atual com o bloco europeu com acordos multilaterais, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). "O Mercosul poderá negar tranqüilamente a proposta da UE, caso ela tente atar as mãos do bloco. Qualquer vínculo do acordo birregional ao âmbito multilateral será negado. Este é um acordo regional, e assim será tratado", ressaltou Graça Lima. Informações publicadas em jornais europeus nesta semana afirmaram que a estratégia européia seria vincular uma porcentagem das ofertas agrícolas às negociações da OMC para transformar o Mercosul em um aliado na Rodada de Doha, em que os dois blocos colidem freqüentemente. Nesse caso, parceiros do Brasil no G20 e no Grupo de Cairns, como a China, Índia e África do Sul, perderiam forças para pressionar a liberalização do mercado agrícola mundial. "Todos os países que fazem parte da OMC sabem muito bem que está havendo uma negociação preferencial da UE com o Mercosul. O que eles não sabem, e nem o Mercosul sabe, é o que a UE vai oferecer, mas isso certamente terá relevância no nível multilateral", analisou Graça Lima. Ofertas O Mercosul e a União Européia ainda não redefiniram a data para a troca de ofertas agrícolas e de serviços. Essa troca estava marcada, inicialmente, para ocorrer nesta sexta-feira, em Bruxelas. Em vez disso, dois dos principais negociadores europeus (Peter Carl, diretor-geral de Comércio da UE, e Jesus Silva Rodríguez, diretor-geral da Agricultura) viajaram para a Argentina, que preside atualmente o Mercosul, para se reunirem no domingo e na segunda-feira com os representantes do bloco. Segundo Graça Lima, em Buenos Aires acontecerá apenas uma apresentação informal das ofertas européias. Efetivamente, não se sabe quando se dará a troca dos envelopes. "O quanto antes ela ocorrer, melhor. Assim teremos tempo para analisar as ofertas antes da reunião do CNB (Comitê de Negociações Bilaterais, principal organismo técnico da negociação Europa/Mercosul, que acontece no dia 3 em Bruxelas)." Funcionários da Comissão Européia afirmaram à BBC Brasil que a intenção da UE ao apresentar informalmente as ofertas, antes da troca efetiva dos envelopes, é ter certeza de que todos os pontos serão aceitos pelo bloco. Exportação O acordo UE-Mercosul trata basicamente de comércio, ou seja, acesso a mercado e aumento de cotas de exportações. Este é um momento decisivo das negociações entre os dois blocos porque serão apresentadas as ofertas melhoradas (ou seja, ofertas corrigidas conforme previsto em discussões anteriores) nos setores mais sensíveis de cada um dos lados. O agrícola, para o Mercosul, e o setor de serviços e investimentos, para os europeus. Ao mesmo tempo em que os países do Mercosul exigem mais cotas para a exportação de produtos como a carne, lácteos e açúcar, os europeus cobram ofertas mais substanciais nas áreas de bens industriais, serviços, compras governamentais e investimentos. |
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