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Última actualização: 06 Janeiro, 2009 - Publicado em 02:42 GMT
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Nino Vieira vai perder guardas pessoais

Tagme Na Waie
Tagme Na Waie alega ter sido atacado por guardas de Nino Vieira
O Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau ordenou o desarmamento imediato de todos os milícias que servem actualmente na Guarda Presidencial de Nino Vieira.

Segundo um comunicado destribuído à imprensa, a decisão foi tomada esta segunda-feira no final de uma reunião de chefias militares.

Os referidos milícias, conhecidos como "anguentas", foram recrutados pelo ministro-cessante da Administração Interna, Cipirano Cassamá.

Resta saber se essa medida será de facto concretizada, uma vez que ficou evidente que o Presidente Nino Vieira já não tem confiança nos guardas que lhes são afectados pelo Estado-Maior General das Forças Armadas, EMGFA.

Vários analistas acreditam que não será uma medida de fácil aplicação.

Vizinhos de Nino Vieira revelaram à BBC ter havido movimentações intensas na rua Angola, na segunda-feira à noite; trata-se da rua onde reside o Presidente Nino Vieira.

Essas fontes adiantaram que alguns moradores preferiram abandonar as suas casas para passar a noite em casas de familiares que vivem afastados da área.

Residência de Nino Vieira
Os vizinhos de Nino Vieira temem a eclosão de novos tiroteios

Eles temem a ocorrência de tiroteiros, à semelhança do que ocorreu em Novembro quando um grupo de militares atacou a residência de Nino Vieira.

As próximas horas poderão dar indicações claras sobre o desfecho das tensões que se geram à volta dos "anguentas", constituídos por jovens com idades compreendidas entre os 25 e os 30 anos.

Disparos

No comunicado que revela a decisão sobre o desarmamento imediato dos "anguentas", o EMGFA afirma que o seu chefe, o General Tagme Na Waie, fora alvo de disparos efectuados por milícias "anguentas" mobilizados e armados pelo ministro-cessante da Administração Interna, Cipriano Cassamá.

Entretanto, um alferes, de nome Albino Borga, do Batalhão da Guarda Presidencial, nega ter havido qualquer disparo contra Tagme Na Waie.

Borga reagiu de imediato quando fora denunciada a alegada tentativa contra a integridade física de Tagme Na Waie, explicando que "houve um disparo acidental efectuado por uma sentinela, sem qualquer intenção de atingir alguém - e muito menos o chefe do EMGFA.

O Estado-Maior responsabiliza Cipirano Cassamá por "situações de insegurança e instabilidade que poderão advir em consequência do recrutamento desses milícias".

Falando sobre os "anguentas" no balanco dos 4 meses de exercício governamental, o ministro-cessante da Defesa Nacional, Marciano Silva Barbeiro, garante que os referidos milícias "serão reenquadrados nas Forças Armadas sob controlo de Tagme Na Waie para darem também os seus contributos".

Silva Barbeiro indicou que tal reenquadramento fora decidido numa recente reunião em que participaram representantes do Ministério da Defesa, da Presidência da República e do EMGFA.

Os "anguentas" haviam lutado ao lado de Nino Vieira durante o conflito político-militar de 7 de Junho de 1998, portanto contra o actual chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.

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