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Última actualização: 10 Março, 2008 - Publicado em 03:54 GMT
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Sul de Angola ainda em alerta devido às chuvas
Rio Cunene
Há mais de 50 anos que não chovia tanto na província do Cunene
A província do Cunene, no sul de Angola, permanece em alerta laranja devido às cheias que assolam a região há dias, mas a situação está sob controlo, afirmam as autoridades.

O carácter sasonal e esporádico das chuvas estão a tornar as consequências mais difíceis de prevêr, explicou à BBC o General Eugénio Laborinho, coordenador executivo da Comissão Nacional de Protecção Civil, mas a situação tende a normalizar-se.

O Tenente-General afirmou que o governo central e as autoridades locais, com algum ajuda de ONGs nacionais e internacionais, têm estado a atender às populações afectadas, nomeadamento dos locais de abrigo temporário.

Empresas de contrução têm estado a efectuar trabalhos de desassoreamento e a edificar barreiras de contenção, disse o General.

Cunene

Chuvas torrenciais já deixaram quase 27 mil pessoas desalojadas na província mais a sul de Angola, Cunene, e mataram mais de 20 mil cabeças de gado.

Durante o fim-de-semana o número de casas e famílias afectadas manteve-se mais ou menos inalterado, afirmou o General Laborinho, que acrescentou entretanto que a situação relativamente ao gado se agravou devido à falta de pastos.

A capital, a cidade de Ondjiva, é a região mais afectada; onde o nível das águas subiu cerca de dois metros.

Várias localidades do Cunene estão debaixo de água ou isoladas.

Cuando Cubango

O General Laborinho, que acumula funções também de Comandante Nacional de Bombeiros, encontra-se agora no Cuando Cubango, onde caem também fortes chuvas, uma situação que levou as autoridades a colocar aquela província vizinha do Cunene em alerta amarelo.

O General explicou que as autoridades se encontram agora a efectuar uma "operação de prevenção" nesta região, "em termos de apoio alimentar e assistência médica e medicamentosa".

Para a província foi destacado um "contingente alimentar por ser considerada uma região vulnerável, de risco", adinatou.

Apoio

Em entrevista à BBC, Hou Sei Carlos, o gestor sénior de programas da ONG Oxfam em Angola, disse que, para além de Ondjiva, outros municípios foram afectados.

"É difícil chegar-se a Ombadja, Kahama, Kwanhama, Cuvelai e Namacunde e Curoca, uma vez que todas vias que ligam estes municípios à capital provincial estão praticamente intransitáveis."

Tendas

Hou Sei Carlos disse ser necessários alimentação, tendas para acomodar os deslocados e equipamentos e instalações sanitárias.

 É muita água! Desde 1954 que não chovia assim nesta província. Durante o período de um ano a média de chuvas é de 450 mm, mas agora, de uma só assentada, temos diariamente mais de 700 mm de chuvas
Gen. Laborinho, da Comissão Nacional de Protecção Civil

"O governo tinha disponibilizado algum material para se construirem algumas latrinas nos centros de deslocados mas o material não foi suficiente. Neste momento a Oxfam está a trabalhar com a Cruz Vermelha de Angola para darmos continuidade à construção de latrinas nesses centros."

O General Azevedo Laborinho, coordenador da Comissão Nacional da Protecção Civil de Angola, afirma que a situação no Cunene está sob controlo.

"Há um universo de mais de 26 mil deslocados, há muitas áreas inundadas, há trabalhos hidráulicos e de contenção dos diques, há a assistência às populações e operações de busca e salvamento dos sinistrados."

Áreas de segurança

O General Laborinho, que se encontra no terreno, disse também que continuam a evacuar as populações das zonas mais vulneráveis para áreas de maior segurança.

"Estamos a levar as populações para áreas provisórias com tendas enquanto criamos lotes de terrenos mais altos e com maior segurança onde as pessoas possam viver quando acabar esta fase de emergência."

O coordenador da Comissão Nacional da Protecção Civil de Angola disse também que algumas pessoas continuam a insistir em permanecer nas áreas sinistradas.

"Há um trabalho de sensibilização, educação e mobilização por forma a retirarem-se essas pessoas das áreas onde se encontram.

Para o General Laborinho, poucos têm memória de chuvas tão intensas na província do Cunene.

"É muita água! Desde 1954 que não chovia assim nesta província. Durante o período de um ano a média de chuvas é de 450 milímetros, mas agora, de uma só assentada, temos diariamente mais de 700 milímetros de chuvas."

Trata-se de uma repetição da situação verificada em Fevereiro, quando 10 mil pessoas ficaram sem casa em três províncias do sul de Angola.

Na altura, fortes chuvas seguiram-se a um prolongado período de seca.

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