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Cahora Bassa passa para controlo de Moçambique | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Barragem Hidroeléctrica de Cahora Bassa, HCB, passou finalmente para controlo e gestão moçambicanas. O facto segue-se a uma derradeira maratona negocial, realizada à porta fechada, esta segunda-feira em Maputo. Moçambique procedeu, na ocasião, ao pagamento, a Portugal, dos remanescentes 700, dos US$ 950 milhões estipulados no âmbito de um acordo em resultado do qual passa agora a deter 80% das acções do empreendimento. Foi um dia em que terá ficado claro porque é que alguém uma vez disse "amigos, amigos, negócios à parte". Com efeito, a impressão com que se ficou é que esta segunda-feira era um dia não para fazer política mas para acertar as coisas e as contas. No Centro Internacional de Conferências, aqui em Maputo, Moçambique e Portugal não quiseram distracções. À porta fechada, delegações dos dois países passavam, há várias horas, uma revista minuciosa aos pormenores – como sejam números e outros aspectos técnicos que dão corpo ao acordo assinado há pouco mais de um ano. Negociações Na parte externa do edifício, o ministro moçambicano da Energia, Salvador Namburete, assegurava à imprensa que não havia qualquer impasse de última hora. O desfecho do vai-e-vem negocial em torno da Barragem Hidroeléctrica de Cahora Bassa, iniciado há mais de três décadas, estava condicionado, entre outros, ao pagamento a Portugal, por Moçambique, de US$ 950 milhões. Duzentos e cinquenta milhões desse montante foram pagos em Outubro de 2006, tendo Moçambique, segundo o ministro Namburete, recorrido ao financiamento de um consórcio bancário internacional para encontrar a quantia remanescente. "O dinheiro é emprestado à HCB por um banco francês e outro português. A HCB paga a Portugal e há depois a transferência das acções para Moçambique. Moçambique passa a ser dono da HCB e tem que gerí-la por forma a que continue a gerar as receitas necessárias para pagar o financiamento que foi concedido." Na negociação com os financiadores, achou-se conveniente contratar uma empresa de assistência técnica que vai, de vez em quando, visitar a barragem a convite da HCB, dos bancos, ou por iniciativa própria, para ver se os programas de manutenção e de operação estão a ser cumpridos." De acordo com a nova estrutura accionista, Moçambique passa a ser detentor de 85% contra os actuais 18% das acções. Portugal fica com 15%, ao invés dos presentes 82% das acções. 'Segunda independência' Mas o que é que, em termos concretos, significa tudo isto para Moçambique? O editor do Semanário independente Savana, Fernando Gonçalves, acha que a Barragem Hidroeléctrica da Cahora Bassa é viável. "Pelas contas actuais, as receitas anuais de Cahora Bassa são de US$ 150 milhões. Moçambique, na sua qualidade de accionista maioritário, depois de pagas todas as despesas, os dividendos que vai colher deste investimento são enormes e irão contribuir de forma significativa para a balança de pagamentos, para a redução do défice orçamental e para o melhoramento das finanças do país." Mesmo que, por qualquer razão, as coisas corram mal, há mecanismos de cautela que foram postos em prática e que não permitirão, de forma alguma, que a gestão de Cahora Bassa seja má." Esta segunda-feira foi essencialmente um dia de negócios, em que as coisas ficaram definitivamente resolvidas em redor da Barragem Hidroeléctrica da Cahora Bassa. Já esta terça-feira, será o dia em que os moçambicanos irão formal e simbolicamente assinalar a conclusão daquilo que já é designado de "segunda independência". Ao Songo, na província central de Tete - e aonde o mega-empreendimento está localizado - estão já a convergir centenas de pessoas, por entre altos dirigentes governamentais, do partido no poder e da oposição, assim como chefes de Estado e de Governo da região. | LINKS LOCAIS Cahora Bassa passa para mãos moçambicanas26 Novembro, 2007 | Notícias Moçambique detém maioria de Cahora Bassa31 Outubro, 2006 | Notícias Assinado acordo histórico sobre Cahora Bassa03 Novembro, 2005 | Notícias Moçambique e Portugal procuram solução para Cahora Bassa19 Novembro, 2004 | Notícias | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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