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Última actualização: 30 Março, 2006 - Publicado em 19:12 GMT
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Um futuro cheio de incertezas para milhões de crianças

Crianças com SIDA na África do Sul
Mais de catorze milhões de crianças são hoje órfãs em todo o mundo devido ao vírus HIV/SIDA.

Quatro em cada uma dessas crianças vivem na região sub-Sahariana de África, que conta os cinco Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.

Os resultados foram apresentados num encontro internacional de parlamentares na capital de Moçambique, a cidade de Maputo.

O encontro de dois dias, que pretende delinear estratégias de luta e mitigar os efeitos da pandemia na comunidade lusófona, conta, entre outras, com as participações da Rainha da Espanha, Sofia de Burbon, e do Arcebispo Anglicano da África do Sul, Desmond Tutu, na qualidade de convidados.

Os números deveriam dizer tudo mas não o fazem. Não são, na verdade, suficientes para ilustrar o trágico destino que espera uma alarmante percentagem dos adultos de amanhã no mundo mas, sobretudo, em África, caso o HIV/SIDA continue a alastrar-se aos níveis actuais.

Expectativas

Este facto justifica, pois, a expectativa gerada pelo encontro regional, na capital moçambicana, de parlamentares dos Países Africanos de Língua Portuguesa e também da Europa.

 Gostaria que esta reunião recomendasse que, na consulta pré-natal, pudessem incluir o teste de HIV/SIDA
Pascoal Mocumbi, da EDCPT

Note-se igualmente a presença de especialistas como Pascoal Mocumbi, o antigo Primeiro-Ministro moçambicano agora à frente de uma plataforma de países europeus e em desenvolvimento apostados no estabelecimento de novas, mais eficazes e acessíveis formas de tratamento de doenças endémicas.

O Doutor Mocumbi diz que esta reunião com parlamentares é de extrema importância.

"A pergunta que estes parlamentares devem colocar a si próprios é: 'há alguma coisa que podemos fazer e que não fazemos por falta de legislação? Se as leis forem aprovadas, o que é que deve mudar para deixarmos de ter tantas crianças que nascem já infectadas?'

"Eu gostaria que esta reunião recomendasse que, na consulta pré-natal, os trabalhadores da saúde pudessem incluir na sua rotina de exames de laboratório o teste de HIV/SIDA para que se a mãe grávida estivesse infectada fossem tomadas todas as medidas necessárias".

Experiências

O seminário regional de Maputo sobre o reforço do papel dos Parlamentos em relação às crianças e à luta contra o HIV/SIDA tem a particularidade de, entre outros, oferecer um espaço para a troca de experiências e ideias.

 Fazemos um atendimento junto das famílias. As crianças órfãs são atendidas nas comunidades
Virgínia Matabele, Ministra da Saúde de Moçambique

A Ministra moçambicana da Mulher e Acção Social, Virgínia Matabele, falou-me de algumas das estratégias do seu governo para acomodar as necessidades de cerca de 500 mil crianças órfãs devido à SIDA em Moçambique.

"Fazemos um atendimento junto das famílias. Isso é fundamental. E se não há família directa há sempre a família substituta. Não temos o número total de crianças sob controlo do governo. As crianças órfãs são atendidas nas comunidades".

De entre os PALOP, Moçambique é, sem qualquer margem para dúvidas, o que mais se ressente actualmente do fardo do HIV/SIDA com que vive cerca de 1,7 milhões dos seus habitantes.

Preocupações

Mesmo assim, sinais preocupantes começam a chegar-nos de países como Angola, onde à semelhança de Moçambique, o fim da guerra reabriu as portas à livre circulação mas também aos riscos daí inerentes quando se trata de uma pandemia como é a SIDA.

 Temos cerca de 110 mil órfãos de SIDA com idades entre os zero e os 17 anos de idade
Cesaltina Major, deputada angolana

A deputada angolana, Cesaltina Major, disse-me que as autoridades no seu país estão a tomar medidas para controlar esta situação.

"Temos cerca de 110 mil órfãos de SIDA com idades entre os zero e os 17 anos de idade. Foi criado um grupo multi-sectorial que está a trabalhar na definição de um plano de acção nacional".

Mas será realmente possível fazer mais - e melhor - como este encontro regional ouviu dos participantes?

Pascoal Mocumbi, pensa que sim e insiste que não há mais tempo a perder.

"Se os parlamentares europeus puderem convencer os seus governos a aumentar os orçamentos de investimento da indústria farmacêutica e dos Estados para se reduzir os custos dos medicamentos, isso seria bom".

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