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Primeiros testes de HIV na ilha do Príncipe | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Até Dezembro de 2005, a população da remota ilha do Príncipe, a segunda maior do arquipélago santomense, não tinha acesso a testes de HIV, o vírus causador da SIDA. Para os habitantes da vizinha ilha de São Tomé, isso tornou-se possível há dois anos com a ajuda da organização Médicos do Mundo. Agora, uma equipa dessa organização fez a viagem aérea de 45 minutos a partir de São Tomé para começar a testar os 5 mil residentes do Príncipe. Eles começaram por explicar à população que foi ao hospital local, na cidade de Santo António, em que consistia o teste. Muitos residentes pareciam já bem informados sobre o HIV/SIDA. "Se sabemos que estamos infectados, então podemos fazer tudo para não infectar outras pessoas" – disse Madalena dos Santos, de 39 anos, mãe de 4 filhos. Ela foi uma das primeiras pessoas a ir ao hospital fazer o teste.
"Se sabemos que não estamos infectados, devemos fazer todos os esforços para nos mantermos assim". Mas o coordenador dos Médicos do Mundo, Bruno Cardoso, diz que a aprendeu com o trabalho em São Tomé que sem sempre os conhecimentos influenciam a mudança de comportamento. "A nossa experiência mostra que nem toda a gente que sabe o que é e como é transmitido o HIV age em conformidade com os seus conhecimentos". "As pessoas não usam preservativos, ou usam-nos apenas ocasionalmente; e isso não é bom. Para se evitar o HIV tem de se usar preservativos sempre que se tenham relações sexuais". Múltiplos parceiros Cerca de 4 mil testes foram feitos em São Tomé, que tem uma população que ronda os 169 mil habitantes, com uma taxa de prevalência de HIV de 2,4% - segundo dados oficiais. Mas Bruno Cardoso acredita que a taxa de prevalência seja muito mais elevada, porque a maior parte dos testes foi efectuada em áreas urbanas. "A maioria dos testes foi feita em duas importantes localidades, onde a população é, na sua maioria, jovem e informada. No Sul de São Tomé, por exemplo, os níveis serão muito mais elevados porque as pessoas têm menos acesso a preservativos e têm múltiplos parceiros". No final do primeiro dia de testes de HIV no Príncipe, registaram-se 2 resultados positivos de um total de 200 pessoas analisadas. "Estou muito contente porque acabo de fazer o teste e descobri que não estou infectado com HIV. Agora tenho que me proteger no futuro" – disse um residente do Príncipe. Choque
Apesar de a taxa de infecção no Príncipe ser baixa quando comparada com outras regiões em África, não deixa de surpreender muita gente, numa ilha onde a maioria dos residentes é religiosa. Eles haviam pensado que o seu relativo isolamento lhes pouparia dos problemas com HIV que afectam milhões de pessoas no continente africano. Na verdade, o arquipélago – que espera nos próximos tempos gigantescos dividendos da exploração dos seus depósitos de petróleo – é um dos poucos países africanos que oferece tratamentos com anti-retrovirais a todos os seropositivos. Contudo, para Bruno Cardoso continuam a ser enormes os desafios para a contenção do HIV/SIDA no que continua a ser um país empobrecido. "Este é um país pequeno mas a maioria da sua população não tem acesso a hospitais ou centros de saúde. As pessoas às vezes têm de andar duas horas para encontrar preservativos, pelo que preferem não usá-los. Isso é muito perigoso". | LINKS EXTERNOS A BBC não é responsável pleo conteúdo de sítios externos da internet | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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