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Última actualização: 11 Janeiro, 2006 - Publicado em 12:47 GMT
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Primeiros testes de HIV na ilha do Príncipe

Pacientes no hospital do Príncipe
Muitos dos habitantes do Príncipe sabem das consequências do HIV
Até Dezembro de 2005, a população da remota ilha do Príncipe, a segunda maior do arquipélago santomense, não tinha acesso a testes de HIV, o vírus causador da SIDA.

Para os habitantes da vizinha ilha de São Tomé, isso tornou-se possível há dois anos com a ajuda da organização Médicos do Mundo.

Agora, uma equipa dessa organização fez a viagem aérea de 45 minutos a partir de São Tomé para começar a testar os 5 mil residentes do Príncipe.

Eles começaram por explicar à população que foi ao hospital local, na cidade de Santo António, em que consistia o teste.

Muitos residentes pareciam já bem informados sobre o HIV/SIDA.

"Se sabemos que estamos infectados, então podemos fazer tudo para não infectar outras pessoas" – disse Madalena dos Santos, de 39 anos, mãe de 4 filhos. Ela foi uma das primeiras pessoas a ir ao hospital fazer o teste.

Madalena Santos
Madalena Santos está feliz com o resultado negativo do seu teste

"Se sabemos que não estamos infectados, devemos fazer todos os esforços para nos mantermos assim".

Mas o coordenador dos Médicos do Mundo, Bruno Cardoso, diz que a aprendeu com o trabalho em São Tomé que sem sempre os conhecimentos influenciam a mudança de comportamento.

"A nossa experiência mostra que nem toda a gente que sabe o que é e como é transmitido o HIV age em conformidade com os seus conhecimentos".

"As pessoas não usam preservativos, ou usam-nos apenas ocasionalmente; e isso não é bom. Para se evitar o HIV tem de se usar preservativos sempre que se tenham relações sexuais".

Múltiplos parceiros

Cerca de 4 mil testes foram feitos em São Tomé, que tem uma população que ronda os 169 mil habitantes, com uma taxa de prevalência de HIV de 2,4% - segundo dados oficiais.

Mas Bruno Cardoso acredita que a taxa de prevalência seja muito mais elevada, porque a maior parte dos testes foi efectuada em áreas urbanas.

 As pessoas às vezes têm de andar duas horas para encontrar preservativos, pelo que preferem não usá-los. Isso é muito perigoso
Bruno Cardoso, Coordenador dos Médicos do Mundo

"A maioria dos testes foi feita em duas importantes localidades, onde a população é, na sua maioria, jovem e informada. No Sul de São Tomé, por exemplo, os níveis serão muito mais elevados porque as pessoas têm menos acesso a preservativos e têm múltiplos parceiros".

No final do primeiro dia de testes de HIV no Príncipe, registaram-se 2 resultados positivos de um total de 200 pessoas analisadas.

"Estou muito contente porque acabo de fazer o teste e descobri que não estou infectado com HIV. Agora tenho que me proteger no futuro" – disse um residente do Príncipe.

Choque

Igreja do Príncipe
Os residentes da ilha do Príncipe são muito religiosos

Apesar de a taxa de infecção no Príncipe ser baixa quando comparada com outras regiões em África, não deixa de surpreender muita gente, numa ilha onde a maioria dos residentes é religiosa.

Eles haviam pensado que o seu relativo isolamento lhes pouparia dos problemas com HIV que afectam milhões de pessoas no continente africano.

Na verdade, o arquipélago – que espera nos próximos tempos gigantescos dividendos da exploração dos seus depósitos de petróleo – é um dos poucos países africanos que oferece tratamentos com anti-retrovirais a todos os seropositivos.

Contudo, para Bruno Cardoso continuam a ser enormes os desafios para a contenção do HIV/SIDA no que continua a ser um país empobrecido.

"Este é um país pequeno mas a maioria da sua população não tem acesso a hospitais ou centros de saúde. As pessoas às vezes têm de andar duas horas para encontrar preservativos, pelo que preferem não usá-los. Isso é muito perigoso".

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