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Guiné-Bissau: governo responde a Kumba Yalá | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau afirma que os militares garantiram não pegar em armas perante a tensão gerada pela auto-proclamação do ex-dirigente Kumba Yalá, como Presidente. Carlos Gomes Júnior, em visita a Lisboa, também garantiu a lealdade das forças armadas e o imperativo da lei.Lígio Monteiro, da BBCparaafrica, falou com Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro da Guiné-Bissau: – Como reagiu o governo da Guiné-Bissau à auto-proclamação de Kumba Yalá como presidente da Republica? Carlos Gomes Júnior- É um caso insólito. Apanhou toda a gente de surpresa, até porque neste momento estamos em Lisboa. Continuamos empenhados na realizaçao das eleições no dia 19 de Junho, vivemos num país democrático, com leis que têm de ser seguidas. – O Conselho Superior de Defesa, presidido pelo Presidente interino Henrique Rosa, reuniu hoje. Qual foi a mensagem dos militares? CGJ – Foi uma mensagem curta e clara: os militares declararam submeter-se ao poder político legitimamente eleito. Não é uma situação tranquila, porque neste momento também estamos empenhados na reforma e reestruturação das nossas forças armadas. Precisamos de ter umas forças armadas modernas e republicanas, que sigam os primados da lei. – A declaração de Kumba Yalá revela que há algum poder militar por trás dele? CGJ - Aparentemente todos temos poder, mas o poder mais importante é o poder da lei e o poder do Estado. Kumba Yalá, enquanto cidadão da Guiné-Bissau, tem de se submeter a esses poderes. – Esta confusão parece ter sido criada pela decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ). Mesmo havendo separação de poderes na Guiné, foi aberto um espaço para Kumba Yalá reclamar que a sua destituição foi ilegal? CGJ - A interpretação da lei abre vários caminhos. Nós respeitamos a divisão de poderes. O STJ prenunciou-se, e nós enquanto governo não temos de contrariar essa decisão: cada um assume as suas responsabilidades. - O que vai fazer o governo caso Kumba Yalá confirme a promessa de assumir a presidência nesta terça-feira? CGJ - Nesta terça-feira eu já estarei em Bissau. - E vai contrariar a decisão? CGJ - Como chefe do governo tenho o poder de manter a paz, a ordem e a tranquilidade dos nossos cidadãos. Segurança na capital reforçada Em Bissau, prosseguem as reuniões entre as autoridades políticas e militares. Últimas informações dão conta do reforço da segurança na capital, não foram registadas movimentações militares. O que parece claro nesta nova crise, é que o ex-Presidente Kumba Yalá, detém a confiança de algumas chefias militares, para ter feito o pronunciamento de domingo. Mas segundo fontes do Comité Militar, contactadas pela BBC, nem todos os comandantes membros do Comité que derrubou Kumba Yalá em Setembro de 2003, partilham desta posição. Aliás, a carta assinada há cerca de 2 semanas, por cerca de 14 membros deste Comité ao Supremo Tribunal de Justiça, afirmando que teriam persuadido Kumba Yalá a renunciar, foi refutada por um dos alegados signatários. O Presidente deste Comité Militar, deu uma conferência de imprensa na semana passada, dizendo que não tinha assinado a carta e que algumas das assinaturas teriam sido falsificadas. Comente esta entrevista. |
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