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Guiné-Bissau: Supremo chumba sete candidaturas | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Supremo Tribunal de Justiça autorizou catorze, incluindo as de Kumba Ialá e Nino Vieira, e chumbou sete das candidaturas presidenciais. A decisão assume contornos mais políticos do que legais, e já está a causar polémica. Para o Bastonário da Ordem dos Advogados podem surgir graves consequências, como a anulação do período de transição e das próprias eleições do ano passado. Lígio Monteiro, da secção de Língua Portuguesa da BBC, entrevistou José Sousa Dias, o delegado da agência LUSA em Bissau. BBC - Qual foi a justificação do Supremo Tribunal de Justiça para recusar algumas das candidaturas presidenciais? JSD – O Supremo Tribunal de Justiça não deu justificação para os acórdãos que fez. Como é sabido aprovou 14 das 21 candidaturas, recusou sete, entre elas a do antigo primeiro-ministro Francisco Fadul. Não há justificações, ainda conhecidas, sobre aquilo em que o STJ se baseou para chumbar as sete candidaturas e para aprovar duas das mais polémicas candidaturas, as dos ex-presidentes Nino Vieira e Kumba Ialá. BBC – Que consequências podem ter as candidaturas dos dois ex-presidentes, que renunciaram ao mandato? E que futuro político se pode esperar na Guiné-Bissau? JSD - Hoje de manhã entrevistei o Bastonário da Ordem dos Advogados, Armando Mango, que chamou a atenção para um pormenor importante: o Supremo Tribunal de Justiça ter ultrapassado o processo de impugnação de Kumba Ialá.
Agora, Kumba tem caminho aberto para fazer o que quiser, porque terá todos os argumentos políticos e jurídicos do seu lado. A razão é muito simples: neste momento Kumba tem elementos suficientes para impugnar as eleições legislativas passadas e mesmo o governo que está no poder. E agora há todo um manancial de questões que o Supremo, do ponto de vista do Bastonário Armando Mango, devia ter previsto e amadurecido. A decisão devia ter sido conforme a lei e não a política. BBC – Em que plano jurídico e político se encontra a Guiné-Bissau neste momento? JSD - é muito simples: se a candidatura de Kumba Ialá passou no Supremo é porque ninguém teve em conta a renúncia que foi consagrada na Carta de Transição, o que significa que puseram em causa a Carta. Pondo em causa a Carta põe-se em causa o próprio processo de transição, pondo em causa o governo de transição liderado por Artur Sanhá, o presidente da transição Henrique Rosa, e ainda o governo que saiu das legislativas. |
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