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Atualizado às: 17 de novembro, 2008 - 07h48 GMT (05h48 Brasília)
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Hu Jintao inicia giro em busca de influência na América Latina

Hu Jintao
Hu Jintao tenta aumentar influência chinesa na América Latina
O presidente chinês, Hu Jintao, inicia nesta segunda-feira uma giro por países da América Latina para assinar acordos de livre comércio, na tentativa de fortalecer a influência econômica e política da China na região.

Até o próximo domingo, Hu Jintao visita Costa Rica, Cuba e Peru para fechar acordos de comércio e investimento e para propagar a política chinesa, além de tentar diminuir a influência de Taiwan na região.

A visita ocorre em um momento em que a América Latina ganha importância na estratégia política internacional chinesa.

No começo do mês, Pequim divulgou um relatório onde enfatiza a situação de igualdade entre os emergentes e reforça a idéia de que latinos e chineses precisam se unir para desempenhar um papel mais preponderante na diplomacia internacional.

Além de buscar o apoio político dos outros emergentes frente aos países ricos, a China também está de olho na região por ter grandes investimentos em recursos naturais e por disputar influência política com Taiwan.

Recursos estratégicos

Na Costa Rica, nesta segunda-feira, Hu Jintao se encontra com o presidente Oscar Arias para dar início às negociações de um tratado comercial que deverá entrar em vigor em 2010.

Na seqüência, Hu segue para Cuba e termina o roteiro no Peru, onde deverá efetivar um acordo de livre comércio com o presidente Alan Garcia e participar da reunião anual do grupo de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC, na sigla em inglês).

O crescente interesse chinês nos recursos estratégicos na América Latina levou a relação a ser comparada com a parceria que Pequim tem com a África, onde explora petróleo e minério.

 A China entende bem que a América Latina é o quintal dos Estados Unidos, então não há razão para a China desafiar a influência americana
Jiang Shixue, acadêmico

No Peru, por exemplo, a companhia Chinalco investiu US$ 3 bilhões na compra da mina de cobre de Toromocho, cuja produção deverá ser totalmente exportada à China para a fabricação de cabos elétricos.

Além disso, a expansão da influência asiática na região próxima aos Estados Unidos coloca em questão a hegemonia de Washington.

Jiang Shixue, subdiretor do Instituto de América Latina da Academia de Ciências Sociais da China, em Pequim, disse à BBC Brasil que o objetivo chinês é puramente pragmático.

"A América Latina é importante para a China por causa de seus recursos naturais e por ser um grande mercado", explicou Jiang.

"A China entende bem que a América Latina é o quintal dos Estados Unidos, então não há razão para a China desafiar a influência americana", afirma o professor.

O interesse chinês na região é inegável. Há menos de um mês, a China tornou-se integrante no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e desde 2004 é observadora permanente na Organização dos Estados Americanos (OAS, em inglês).

Ambição política

Do ponto de vista político a ambição chinesa na região é conquistar a simpatia das nações que ainda apóiam Taiwan e convencê-las a mudar de lado.

"Taiwan tem umas 24 ou 23 nações que reconhecem a ilha. Destas, 12 estão na América Latina e Caribe", afirmou Jiang.

A China quer conquistar o apoio do maior número possível de países na região para limitar as chances de Taiwan de retornar às Nações Unidas.

Em 1971, a ilha foi obrigada a ceder a vaga da China para Pequim e desde os anos 90 tem feito campanha para voltar a ser reconhecida como nação-membro.

Como na assembléia geral da ONU cada país tem direito a um voto, apesar de economicamente irrelevante, o apoio de pequenos Estados latinos e caribenhos são de extrema importância para que a China consiga frustrar as ambições de Taiwan.

República Dominicana, Haiti, Saint Kitts e Navis, Santa Lucia, São Vicente e as Granadinas são alguns dos governos que apóiam a ilha de Taiwan, que é considerada "província rebelde" por Pequim.

Tanto Taipé quanto Pequim fazem uso da "política do dólar", segundo a qual assistência financeira é recompensada com lealdade política.

A Costa Rica, por exemplo, costumava reconhecer Taiwan, mas mudou de lado no ano passado após Pequim investir US$ 300 milhões em títulos do país e doar US$ 73 milhões para a construção de um novo estádio nacional.

A visita de Hu Jintao é também uma mensagem às nações aliadas de Taiwan, para que observem o progresso costarriquenho e reconsiderem suas alianças.

Comércio

Em 2005, quando esteve pela última vez na América Latina, Hu Jintao, assumiu a meta de fazer as trocas da China com a região chegarem a US$ 100 bilhões até 2010, objetivo que foi alcançado no ano passado quando o comércio bilateral totalizou mais de US$ 104 bilhões.

A tendência é de uma intensificação ainda maior das trocas. Somente nos primeiros nove meses de 2008 o valor comercializado já é superior a US$ 111 bilhões.

Entretanto, apenas sete países respondem por mais de 80% do comércio sino-latino, segundo estatísticas de 2006 compiladas por Jiang, e por isso há interesse chinês em dar continuidade ao desenvolvimento de maior contato com as nações menores.

Com a Costa Rica, por exemplo, o comércio aumentou 33% no último ano, totalizando US$ 2,8 bilhões.

Igualmente, com Cuba e com o Peru as trocas também cresceram. Entre 2006 e 2007 houve um progresso de 27% na corrente comercial sino-cubana, que chegou a US$ 2,2 bilhões.

Já as trocas com o Peru ultrapassaram os US$ 6 bilhões no ano passado, um aumento de 53% em relação a 2006. Para ambos, peruanos e cubanos, a China é o segundo maior parceiro comercial.

Em Cuba, Hu Jintao se encontrará com o líder Raul Castro para assinar novos acordos econômicos e de cooperação política internacional, área na qual ambas nações têm extensa afinidade por compartilharem do mesmo legado comunista.

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