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G20 pode parecer 'Torre de Babel', diz 'Wall Street Journal' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O encontro dos líderes do G20 em Washington, no próximo fim-de-semana, longe de mostrar uma voz única na busca por soluções para a crise econômicas, se assemelhará, mais provavelmente, a uma "Torre de Babel nacionalista", segundo o jornal americano Wall Street Journal. O jornal diz, em artigo publicado na sua edição desta segunda-feira, que "os franceses querem reinar em um capitalismo global desordenado e construir uma nova ordem de regulamentação - posição que desperta suspeita nos americanos". "Os britânicos disseram primeiro que queriam uma 'nova Bretton Woods', que soa como um pedido para reformar ou até substituir o Fundo Monetário Internacional (FMI) e outras instituições concebidas naquela conferência em New Hampshire em 1944. Agora eles querem um FMI mais poderoso", segundo o WSJ. O jornal ressalta, contudo, que "os russos tentariam vetar esta última idéia". "Já os chineses (...) querem mais influência nas decisões do FMI." Mas o diretor-gerente do FMI, Dominique Strass-Khan, vê razões para ser otimista sobre a cúpula do G-20 "porque todo mundo na mesa (de negociações) concorda que é crucial uma ação coordenada", diz o WSJ. Segundo o artigo, tudo depende dos Estados Unidos, dado o tamanho de sua economia. Mas com a transição no país, "o melhor que se pode esperar da reunião desta semana é um compromisso para continuar a fazer de uma reforma financeira uma prioridade." Um analista ouvido pelo jornal, Joseph Guinan, do instituto de pesquisa americano-europeu German Marshall Fund, em Bruxelas, disse que esta ainda é uma fase em que ninguém confia na visão de como avançar apresentada por qualquer outro. "Como afastar uma potencial crise futura também é um imponderável. É fácil falar sobre mais regulamentação. Mas de que tipo? E o quanto da regulamentação deveria ser transnacional?", pergunta o WSJ. "Obama não assumiu posições sobre a reformulação do sistema financeiro global durante a campanha. Mas esta será uma questão que terá que enfrentar forçosamente depressa", conclui o artigo. O G20 é composto pelos integrantes do G7 (dos países mais industrializados do mundo) e mais 13 nações em desenvolvimento, inclusive o Brasil. Brasil As divergências no G20 também são mencionadas em artigo desta segunda-feira em outro jornal americano, The New York Times (NYT), sobre a reunião preparatória do grupo em São Paulo, tendo em vista o encontro de Washington. Segundo o NYT, "apesar do espírito de cooperação no evento", também pairou "um ar de ressentimento". "Luiz Inácio da Silva, presidente do Brasil, e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, culparam os Estados Unidos e outros países desenvolvidos pela propagação do pessimismo financeiro para todos os cantos do mundo", disse o jornal. O artigo, assinado pelo repórter Alexei Barrionuevo, observou uma mudança de posição do presidente Lula ao abrir o encontro de São Paulo, e disse que o chefe de Estado brasileiro "não está mais tentando dizer que o Brasil, a maior economia da América Latina, está imune da crise imobiliária e bancária que aflige os Estados Unidos, como fez nos primeiros dias da crise bancária". "Ao invés disso, da Silva e Mantega buscaram assegurar o papel do G20 em discussões tipicamente dominadas pelo G7". Foi comprovado que crises financeiras dessa magnitude acabam tendo impacto em vários outros países, e a reunião de três dias do G20 revelou "um profundo desejo entre os países em desenvolvimento, inclusive o anfitrião, Brasil, de conseguir mais voz para ajudar o mundo a encontrar seu caminho para fora da crise", disse o NYT. |
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