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China estuda pacote 'radical' para estimular crescimento

Investidor observa índices na bolsa de Pequim
Investidor observa índices na bolsa de Pequim
O governo da China está preparando um pacote de medidas "radicais" para fomentar o crescimento da economia em meio à crise mundial, informou nesta quinta-feira a imprensa estatal do país.

Pequim quer evitar que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) desacelere no ano que vem para menos de 8% e já tomou providências em vários setores de maneira isolada. Porém essa é a primeira vez que o governo estuda concentrar as forças em uma estratégia coordenada.

O pacote de medidas "compreensíveis e radicais", como chamou o diário China Daily, ainda está sendo avaliado pelo governo central, mas deverá sair em breve.

Segundo um oficial do Conselho de Estado, que falou ao periódico sob a condição de anonimato, as medidas incluirão grandes gastos estatais em infra-estrutura e energia verde, bem como incentivos fiscais para projetos que gerem empregos.

Além disso, a China deverá promover o comércio internacional com novos parceiros para continuar exportando e depender menos das vendas aos Estados Unidos e Europa.

Radical

"Apenas um pacote radical de estímulo pode salvar o país" disse o entrevistado ao jornal oficial.

Como sinal de que a economia toda está desacelerando, o oficial do governo citou os números de consumo de energia elétrica.

A taxa de crescimento de demanda energética caiu de 5,1% em agosto para 3,6% em setembro, segundo ele.

"E eu estou chocado (com o fato de) que em outubro essa taxa deverá ser negativa", disse.

Nos últimos três meses o crescimento do PIB chinês desacelerou para 9%, uma queda considerável em relação aos quase 12% registrados ao longo do ano passado, corroborando a idéia de que até mesmo a China não está a salvo da tempestade.

"Muitos indicadores econômicos mostram que entramos em uma desaceleração de crescimento excessiva e necessitamos um pacote radical de estímulo imediatamente" afirmou. "Entramos em tempos difíceis".

A aprovação das medidas deve ocorrer ainda este mês ou no próximo, quando a liderança do partido comunista se reúne para a conferência anual de economia e finanças.

Providências

A China já tomou providências para aplacar os efeitos da crise em frentes diferentes, mas as estatísticas ainda não revelaram o resultado do esforço.

A fim de impulsionar o setor financeiro, desde setembro Pequim já fez três reduções na taxa de juros básica e tem aumentado a participação de capital estatal nos maiores bancos do país.

Para as indústrias, o governo propôs corte de impostos e descontos para incentivar as exportações de manufaturas de trabalho intensivo, como brinquedos e têxteis, que já dão sinais de contração.

No mês passado, o índice que mede os pedidos de compra do setor atingiu o nível mais baixo desde que começou a ser medido, quatro anos atrás.

O índice caiu para 44,6 pontos ­ um resultado acima de 50 sugere expansão, enquanto abaixo deste número, sugere contração.

Nesta quinta-feira, a liderança comunista anunciou mais uma medida para fomentar a criação de empregos.

O governo afirmou que vai investir um trilhão de iuans (US$ 146,5 bilhões) nas obras de reconstrução da província de Sichuan, que foi abalada por um terremoto em maio, para gerar milhares de vagas na construção civil.

Esse valor é o equivalente a mais de três vezes o total gasto pela China para realizar a Olimpíada de Pequim. Os jogos custaram US$ 40 bilhões.

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