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Atualizado às: 06 de novembro, 2008 - 12h24 GMT (10h24 Brasília)
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China divulga novo relatório de estratégia para AL e Caribe

ministro das Relações Exteriores chinês Yang Jiechi
Para ministro Yang Jiechi, América Latina é uma região importante
A China divulgou um novo relatório de estratégia política para a América Latina e Caribe.

O documento, apresentado pelo ministério das Relações Exteriores na quarta-feira, sugere que a abertura comercial para a região deve ter como objetivo trazer proveito aos dois lados e ressalta o apoio chinês ao fortalecimento do papel dos emergentes no mundo.

"A China é o maior país em desenvolvimento do mundo. A América Latina e o Caribe são regiões em desenvolvimento muito importantes. Ambos encaram a mesma missão de desenvolver e dividir um amplo aspecto de interesses em comum", afirmou à imprensa o ministro das Relações Exteriores Yang Jiechi.

O relatório enfatiza a situação de igualdade entre os emergentes e reforça a idéia de que esses países precisam se unir para desempenhar um papel mais preponderante na diplomacia internacional.

América Latina

A China afirmou estar pronta para trabalhar com a América Latina e o Caribe para fortalecer as Nações Unidas e "fazer a ordem política e econômica internacional mais justa e equilibrada", além de "promover democracia nas relações internacionais e apoiar os direitos e interesses legítimos dos países em desenvolvimento".

Em nenhum momento o texto se refere diretamente ao Brasil, ou cita o nome de qualquer país latino-americano, mas o relatório enfatiza o apoio chinês às ambições de emergentes em participar mais do cenário político internacional.

"A China apóia um maior papel da América Latina e do Caribe nas relações internacionais", declara, numa posição que pode alimentar a esperança brasileira de conquistar um assento permanente no conselho de segurança da ONU.

Além disso, o relatório enfatiza que a China vai fortalecer o intercâmbio científico na área de biocombustíveis, tecnologia espacial, e pesquisa ambiental e marinha, assuntos onde já existem acordos de parceria sino-brasileira em andamento.

Em entrevista à agência de notícias Xinhua, o brasilianista Jiang Shixue, que é subdiretor do Instituto de América Latina da Academia de Ciências Sociais da China, afirmou que a nova estratégia é "integral" e destacou que o apoio financeiro é uma das áreas onde haverá grande desenvolvimento tendo em vista que o Banco da China abriu recentemente escritórios no Brasil e no Panamá.

"A cooperação sino-latino-americana em matéria financeira ainda está em fase inicial, mas vemos amplas perspectivas para sua futura evolução", disse Jiang.

Comércio

O texto diplomático não chega a detalhar as medidas que serão tomadas para fomentar o comércio entre a China e a América Latina, mas a multiplicação de acordos de livre comércio com países da região é a principal diretriz.

"Na base do benefício mútuo a China vai dar maior consideração à conclusão de acordos de livre comércio", afirma.

A nova estratégia também fala da promoção de investimentos chineses na América Latina em manufatura, agricultura, reflorestamento, pesca, energia, mineração, infra-estrutura e serviços.

O relatório chinês também destaca a importância para os dois lados de reavivar a parceira "sul-sul" a fim de fazer um regime comercial internacional mais "equilibrado e multilateral" e garantir um maior papel de ambos "na tomada de decisões para países em desenvolvimento no comércio internacional e em assuntos financeiros".

Esse trecho reforça as afirmações de Wen Jiabao e Hu Jintao que já defenderam em público que a China e os emergentes tenham uma participação maior no sistema financeiro internacional, principalmente a partir da reunião do G-20 que ocorrerá em Washington na metade do mês e deverá discutir os fundamentos do sistema monetário internacional.

Os chineses têm um crescente interesse na região que é fonte de matérias-primas para a indústria e expoente comprador das manufaturas, que agora deixam de ter os Estados Unidos e Europa como destino.

Há cerca de uma semana a China aumentou a sua influência no continente ao se tornar membro do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que tem sede em Washington.

O país doou US$ 350 milhões para apoiar os projetos de desenvolvimento social promovidos pela instituição financeira na América Latina.

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