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Atualizado às: 09 de outubro, 2008 - 08h09 GMT (05h09 Brasília)
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Cristina Kirchner diz que crise deve afetar a Argentina

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner (Getty Images)
A presidente Cristina Kirchner chamou a crise de "efeito jazz"
Pela primeira vez desde o início da atual crise financeira internacional, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse que a turbulência pode afetar o país.

"Certamente, a crise terá seqüelas econômicas e sociais que deveremos enfrentar", afirmou Cristina nesta quarta-feira, em um encontro com líderes feministas em Buenos Aires.

A presidente afirmou ainda que esta é uma das “mais graves crises que o mundo já enfrentou".

As palavras da presidente foram interpretadas pela imprensa local como reconhecimento de que o terremoto financeiro poderá atingir o país.

Em ocasiões anteriores, Cristina havia sinalizado que a Argentina estaria imune aos efeitos da crise e criticou os países em que, ao contrário do seu, não havia presença do Estado nas finanças.

Em um discurso nas Nações Unidas, em Nova York, no mês passado, ela batizou esta era de incertezas como "efeito jazz", em uma referência à origem americana da crise.

O colunista político do jornal La Nación, Joaquín Morales Solá, escreveu: "O efeito jazz está fazendo bailar a presidente, seu governo e os argentinos em geral".

Segundo ele, a declaração de Cristina retrata, agora, a "incapacidade argentina" para entender um mundo globalizado. E afirmou: "É possível uma enorme crise financeira em Wall Street sem contagiar até o último canto do planeta? Impossível".

Brasil

Nos últimos dias, com a desvalorização do real frente ao dólar, o governo e economistas argentinos passaram a prestar mais atenção na situação brasileira, temendo o contágio na economia do país.

Analistas econômicos observaram, em emissoras de rádio e de televisão do país, que a desvalorização do real tornaria os produtos brasileiros ainda mais competitivos diante das mercadorias argentinas.

Em suas reportagens, os jornais Clarin e La Nación ressaltaram que poderia ocorrer uma "invasão" de produtos do Brasil no mercado vizinho.

Por sua vez, o jornal Ambito Financiero publicou que a desvalorização do real poderá provocar uma "invasão" de turistas argentinos no Brasil – hoje um destino caro diante do preço da moeda local, o peso, cotado um pouco acima dos três pesos.

O presidente da União Industrial Argentina (UIA), Juan Carlos Lascurain, reconheceu estar preocupado com uma possível avalanche de produtos brasileiros no país.

"O colapso (financeiro) terá dois efeitos claros na área comercial, tanto nas exportações quanto nas importações", disse.

"As vendas argentinas ao exterior vão sofrer um freio. Já as importações vão sofrer um desvio do comércio do Brasil para a Argentina e isso pode causar um dano muito grande à toda cadeia produtiva argentina".

Os integrantes da UIA costumam defender a aplicação do dólar alto como ferramenta de competitividade, principalmente diante dos produtos brasileiros. Atualmente, apesar da diferença cambial, a Argentina acumula vários meses seguidos de déficit na balança comercial com o Brasil.

Nesta quarta-feira, o dólar voltou a fechar em alta – cotado a 3,24 pesos – apesar da intervenção do Banco Central.

O indíce Merval da Bolsa de Buenos Aires terminou o dia com queda de 1,82%, seguindo a tendência mundial, apesar da decisão coordenada dos bancos centrais da Europa e dos EUA para tentar reverter o quadro de crise.

Segundo a agência oficial de notícias Telam, o ministro das Relações Exteriores, Jorge Taiana, estaria convocando seus colegas do Mercosul para uma reunião, nos próximos dias, para discutir os efeitos da crise no bloco.

Fazendeiros

Os produtores rurais concluíram, nesta quarta, o protesto que iniciaram seis dias antes, na sexta-feira passada.

O fim da nova etapa de manifestações foi realizado em frente ao Congresso Nacional.

Eles pediram uma nova política agropecuária e medidas que possam reduzir os males da pior seca registrada no país em décadas.

Os líderes do protesto sinalizaram que poderão voltar a protestar, se o governo não atender às demandas.

Foi a segunda paralisação do setor – o principal braço da economia argentina – este ano. Na primeira, eles realizaram um locaute que gerou a mais grave crise do governo de Cristina, que assumiu em dezembro passado.

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