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Atualizado às: 08 de outubro, 2008 - 14h47 GMT (11h47 Brasília)
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Em meio à crise, 1,2 mil espanhóis perdem emprego por dia

Construção
O setor de construção eliminou diversas vagas em 2008
Em meio à crise financeira que afeta os mercados globais, o desemprego é a principal preocupação dos espanhóis.

A cada dia, em média 1.250 pessoas são demitidas e apenas nos últimos dois meses 80% do total de empregos criados em 2007 já foram eliminados.

No total, o país já tem 2,6 milhões de desempregados – o que representa 11% da população ativa.

Esses dados colocam a Espanha como o país da União Européia com maior índice de desemprego e pior perspectiva para 2009.

Estimativas divulgadas pela Comissão Européia de Economia e instituições financeiras indicam que no próximo ano o índice de desemprego pode chegar aos 14%, com cerca de 3,5 milhões de trabalhadores na rua.

Preocupante

"São dados muito preocupantes. Mesmo que continuemos a criar empregos, não há formas de absorver o crescimento da população ativa", explicou à BBC Brasil a assessoria de imprensa da Secretaria Geral de Emprego da Espanha.

Em apenas um ano, a taxa de desemprego passou de 8,3% para 11,3% na Espanha, enquanto a média na União Européia é de 7,5%.

O governo culpa a crise mundial, que atingiu especialmente o setor da construção civil pelo aumento do desemprego. Essa atividade chegou a empregar 20% da população ativa e já representou quase 18% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Segundo o Ministro do Trabalho, Celestino Corbacho, se a construção era o motor da economia, a conseqüência negativa de um desaquecimento nesse setor era "inevitável".

Para ele, a solução está em apoiar o setor industrial e tecnológico.

Dependência externa

Mas analistas financeiros têm outros pontos de vista. Alguns consideram a economia espanhola mais vulnerável que outras às crises internacionais, e afirmam que a perda de empregos na construção civil teria sido menos responsável pela queda no desemprego do que se imagina.

O relatório Situação Espanha, divulgado recentemente pelo Banco BBVA, indicou que o país é "mais vulnerável à crise e ao aumento do preço do petróleo por causa de sua grande dívida e a elevada dependência energética".

O documento ressalta ainda que, além do impacto do preço do petróleo, o país também foi mais afetado pelo ajuste do setor da moradia.

Um dos autores do relatório, o economista José Luis Escrivá, disse que a Espanha tem duas fragilidades em momentos críticos: o déficit externo e a respectiva necessidade de financiamento - 60 bilhões de euros por semestre.

Nas previsões do BBVA, a recuperação deverá acontecer na segunda metade de 2009, mas não com crescimento de 3% como espera o Ministro da Economia, Pedro Solbes.

"Esses dados de 2,5%, 3% dificilmente serão alcançados antes de três ou quatro anos. Calculamos taxas de 0,5% para o crescimento e 14% para o desemprego", afirmou Escrivá.

Plano de emergência

O diretor do Instituto de Estudos Econômicos, Juan Iranzo, ressaltou que o desemprego está atingindo todos os setores - serviços, indústria, agricultura e construção -, com os piores índices desde 1998.

"Uma taxa de desemprego acima dos 15% para 2009 não seria surpresa, especialmente porque não há medidas de curto e médio prazo", afirmou.

Embora reconheça que não haja plano de emergência para o desemprego, o governo já anunciou medidas. A primeira foi ajustar o orçamento nacional para 2009, prevendo que haverá ajustes nos cálculos futuros.

"Serão realistas, austeros e rigorosos; os mais rigorosos que esse país teve em muitos anos porque são as circunstâncias mais difíceis em décadas", disse o Ministro Solbes no Senado.

Apesar da anunciada austeridade, para as coberturas por desemprego haverá aumento orçamentário de 24% em relação a 2008 (19,2 bilhões de euros).

Além disso, o governo pediu moderação ao empresariado para negociar salários em vez de optar por demissões massivas.

Imigração

Uma parte sensível da mão-de-obra diante da crise do emprego é a dos imigrantes. Com quase 5 milhões de trabalhadores estrangeiros - cerca de 60% ilegais e portanto sem seguro-desemprego -, a proposta do governo é tentar convencer os imigrantes a voltar a seus países de origem.

Apesar da tentativa, o chamado Plano de Ajuda ao Retorno Voluntário tem tido pouco sucesso. Há muita procura por informação, mas poucas pessoas acabam fazendo as petições de regresso.

No caso dos brasileiros, o consulado brasileiro em Madri reconhece que a maioria está em situação ilegal e por isso não cumpre os requisitos para receber a ajuda. Um dos pré-requisitos é que apenas os imigrantes em situação regular possam ter acesso ao plano.

Os maiores contingentes de imigrantes no país - marroquinos e equatorianos - resistem e querem ficar. A maioria argumenta que trouxe toda a família para a Espanha e que, se a crise na Europa é ruim, nos seus países é ainda pior.

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