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Atualizado às: 17 de setembro, 2008 - 01h38 GMT (22h38 Brasília)
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Morales diz que Lula ajudará a combater grupos armados

O presidente da Bolívia, Evo Morales
Morales defendeu atuação de militares contra oposicionistas
O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta terça-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se comprometeu a ajudá-lo a desmantelar os grupos armados que supostamente operam com a ajuda de assassinos pagos brasileiros no país.

Em uma conversa telefônica com o presidente venezuelano Hugo Chávez, durante uma coletiva de imprensa do mandatário venezuelano, Morales disse que Lula "prometeu enviar seu ministro da Defesa (Nelson Jobim) para fazer essa ação conjunta", afirmou.

Lula e Morales conversaram durante a reunião extraordinária da Unasul realizada nesta segunda-feira no Chile.

O governo boliviano acusa a oposição de ter contratado homens armados brasileiros e peruanos para assassinar seus simpatizantes durante os violentos protestos dos últimos dias, que já deixaram um saldo de pelo menos 16 mortos no departamento de Pando, que faz fronteira com o Acre.

Morales responsabilizou o governador de Pando, Leopoldo Fernández, que foi preso nesta terça-feira, e o ex-presidente boliviano Jorge Quiroga, membro do principal partido de oposição, de organizarem os grupos armados que atuaram durante os protestos.

"Estão acostumados a utilizar a violência, agora usam narcotraficantes, paramilitares e sicários (assassinos pagos)", afirmou Morales.

Em Brasília, a assessoria do Ministério da Defesa informou à BBC Brasil que não tem conhecimento sobre o envio do ministro Jobim à Bolívia.

"As ações a serem adotadas em relação à Bolívia são aquelas acordadas no documento da Unasul", disse a assessoria da Presidência da República.

"Genocídio"

O líder venezuelano iniciou sua coletiva transmitindo o vídeo que foi levado por Morales para a reunião da Unasul na segunda-feira, como "prova" da violência desencadeada pela oposição nos últimos dias.

As imagens mostram camponeses indígenas sendo agredidos por membros dos grupos de oposição, o momento em que as instalações públicas foram tomadas e o início da sabotagem em um gasoduto.

Morales disse que as instalações de produção de gás estão sendo ocupadas por grupos de simpatizantes do presidente, que fazem uma "vigília simbólica" para garantir as exportações de gás ao Brasil e Argentina.

As Forças Armadas Bolivianas, que foram alvo de críticas de Chávez, foram defendidas pelo presidente boliviano.

Morales disse que os militares estão cumprindo com a aplicação do estado de sítio decretado em Pando e "graças" a essa atuação, as negociações com a oposição "já avançaram importantes passos", disse.

No domingo, Chávez acusou o comandante das Forças Armadas Bolivianas de desobedecer a Morales e fazer "greve", o que, na sua opinião, teria permitido "os massacres" que resultaram na morte de 16 pessoas.

Colaborou a Redação em São Paulo.

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