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Governador de Pando é preso na Bolívia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governador de Pando, Leopoldo Fernández, foi preso por militares bolivianos nesta terça-feira em Cobija, capital do departamento (Estado). Pando, na fronteira com o Acre, foi palco de confrontos que deixaram pelo menos 16 pessoas mortas na quinta-feira da semana passada. "Foi iniciado processo judicial de genocídio contra o governador de Pando", disse o presidente da Bolívia, Evo Morales. "O caso da prisão do prefeito (governador) foi uma ação legal e constitucional, e as Forças Armadas estão cumprindo com o estado de sítio", acrecentou. Morales disse que pretende participar de uma mesa de negociações com a oposição, mas indicou que quer também ver na mesa a presença dos movimentos sociais, que o apóiam. "Autonomias dos estados sim, mas dentro da legitimidade. E vamos garantir estas autonomias, mas depois de aprovada a nova constituição", disse. A nova carta magna boliviana foi aprovada no fim do ano passado, sem o apoio da oposição. "Agora, depois da reunião da Unasul (União das Nações Sul-americanas), temos apoio também externo para continuar o processo de mudanças no país", afirmou. "Sicários" O ministro de governo da Bolívia, Alfredo Rada, afirmou em La Paz que 15 mortos do "massacre" em Pando já foram identificados. Trinta e sete pessoas foram feridas a bala e 106 estão "desaparecidas", segundo Rada. O governo de Morales acusa Fernández de ter ordenado as mortes, pagando "sicários" (assassinos pagos) brasileiros e peruanos. Em diferentes entrevistas, Fernández disse que é "inocente". Em depoimento na Câmara de Deputados, quatro testemunhas contaram que "crianças" também foram vítimas dos confrontos. "Eles também mataram crianças e as jogaram no rio Tahuamanu", disse uma das testemunhas. "Caímos em uma emboscada porque realizávamos uma caminhada quando fomos atingidos pelos sicários." Outro lado O presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Branko Marinkovic, disse que a prisão de Fernández dificultará o diálogo da oposição com o governo. "Esta prisão é um ato de ditadura e vai dificultar o diálogo. Esta medida demonstra, de novo, que o governo quer romper o diálogo, que não está interessado em negociar nada", disse. "Quero destacar ainda que a Unasul foi muito clara, ao defender o diálogo. Nós queremos dialogar, mas o governo vive nos surpreendendo com medidas unilaterais." Marinkovic divulgou, nesta terça-feira, um comunicado com seis pontos. Um deles diz que o Comitê, reduto da oposição, exige a libertação imediata de Fernández. Ele disse ainda que organizações de direitos humanos devem ser autorizadas a entrar em Pando para saber de fato o que ocorreu. Quando perguntado se estavam condicionando o diálogo com Morales, Marinkovic respondeu: "Continuamos com a decisão de dialogar, mas agora a responsabilidade está com o presidente". O governador de Pando integra o grupo da oposição a Morales da região chamada "meia lua". Essa região é formada pelos departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando. Na praça principal de Santa Cruz de la Sierra um grupo de manifestantes, que apóiam a oposição, gritaram palavras de ordem contra Morales e começaram a circular um abaixo-assinado pedindo a "suspensão do dialogo" até que Fernández seja libertado. |
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