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Atualizado às: 30 de julho, 2008 - 09h54 GMT (06h54 Brasília)
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Negociações de Doha deixam 'ferida' entre Brasil e Argentina, diz jornal
Jornais
As fracassadas negociações comerciais da Rodada Doha em Genebra deixaram uma "ferida" entre os dois principais parceiros do Mercosul, Brasil e Argentina, afirma nesta quarta-feira uma reportagem do jornal Página/12.

Como outros jornais da imprensa estrangeira, o diário argentino noticia a dissidência brasileira em relação ao G-20, o grupo de países emergentes, ao concordar com uma proposta da Organização Mundial do Comércio (OMC) para concluir a Rodada, após nove dias de intensas reuniões ministeriais.

Em artigo intitulado "Apareceu uma ferida entre os sócios", o Página/12 relata que "o chanceler brasileiro Celso Amorim se adiantou durante o encontro e se pronunciou a favor de aceitar o acordo proposto pela OMC, insuficiente para o G-20, que o Brasil integrava até então junto com outros países em desenvolvimento, como a Argentina".

Ao aceitar um nível mais baixo de proteção para seu setor industrial que a Argentina, ainda segundo o diário, o Brasil criou uma situação que "não se via há muito tempo": um conflito de posições em um fórum internacional.

"Dado que Brasil e Argentina são os principais parceiros do Mercosul, que basicamente se trata de uma união aduaneira, é quase insólito que mostrem divergências em uma discussão de tarifas em um fórum internacional", sustenta o jornal.

"O Brasil buscou ganhar pontos com os países desenvolvidos, mas acabou em posição de impedimento."

Outros enfoques

Em enfoques distintos, a Rodada Doha foi tema de outros jornais ao redor do mundo. Artigos na imprensa internacional destacaram a queda-de-braço entre os Estados Unidos e a Índia em relação à proteção permitida aos países emergentes diante de um aumento abrupto de importações.

Na visão do indiano Financial Express, já foi o tempo em que "acordos negociados entre um punhado de países" desenvolvidos eram "forçados goela abaixo" de países mais pobres.

Desta vez, entretanto, a força dos países que chamou de "BIC" – Brasil, Índia e China – fez diferença, embora no final o Brasil tenha sido "jogado contra a China", na visão do jornal.

Em linha semelhante e destacando os mesmos países, o americano The Wall Street Journal entendeu que o fracasso das negociações demonstram que "novos gigantes" já são capazes de "flexionar os músculos" no tabuleiro geopolítico internacional. O Brasil, por exemplo, teve um "papel-chave" nas negociações, diz o jornal.

"No fim, entretanto, o desejo brasileiro de fechar um acordo fez pouca diferença", afirma o diário. "A China quebrou seu tradicional silencio em negociações comerciais globais e subiu no salto", bloqueando a proposta da OMC.

Para o WSJ, o novo fracasso em chegar a um acordo global é mais que "uma questão de mercado": representa um retrocesso com "efeitos a longo prazo" na liberalização do comércio mundial, na disposição americana de reduzir barreiras protecionistas e no papel da OMC.

Metáfora futebolística

Por sua vez, o britânico Financial Times aproveitou uma declaração do chanceler Celso Amorim para fazer uma metáfora futebolística sobre o fracasso das negociações.

"Acho que podíamos ter tentado outro time, quem sabe outros jogadores funcionariam melhor (nas negociações)", havia dito Amorim, ao comentar as negociações na terça-feira.

"Não há garantia de que qualquer estrela em uma nova escalação seja capaz de jogar melhor que a atual equipe", discorda o FT, em um artigo intitulado "Negociadores procuram os escombros por sinais de esperança".

"O resultado mais provável é que técnicos abaixo do nível ministerial voltem a se reunir no outono para procurar entre os escombros das últimas semanas para ver se algo pode ser salvo. Mas qualquer tentativa de juntar os cacos novamente deve vir só dentro de muito mais tempo."

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.'La Nación'
Lula visita Argentina em plena tensão bilateral, diz jornal.
Doha'La Nacion'
Posição do Brasil na OMC é vista como 'traição' ao Mercosul.
Celso Amorim (foto de arquivo)Rodada Doha
Disputa entre emergentes 'não afeta Brasil no longo prazo'.
Presidente Luis Inácio Lula da SilvaRodada Doha
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Doha 'levaria a corte de até 12% dos empregos industriais'.
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