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Atualizado às: 25 de julho, 2008 - 20h02 GMT (17h02 Brasília)
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Doha levaria a corte de até 12% das vagas na indústria, diz CUT

A sede da OMC em Genebra
Para CUT, liberalização geraria desemprego observado entre 89 e 94
A liberalização do setor industrial prevista na Rodada Doha poderia resultar na perda de entre 10% e 12% dos postos de trabalho na indústria brasileira, estima o Instituto Observatório Social (IOS), uma organização pertencente à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Segundo Felipe Saboya, coordenador de pesquisa do instituto, a conclusão se baseia em dados compilados entre 1989 e 1994, período em que o Brasil reduziu em cerca de 70% suas tarifas de importação sobre produtos industriais e, como conseqüência, cerca de 1,3 milhões de pessoas perderam seus empregos.

A proposta da rodada exigiria do Brasil uma redução de 57,25% nas tarifas industriais.

"O mais afetado seria o setor automotivo, que teria que enfrentar uma forte concorrência da China, por exemplo. Se essa indústria não puder ser protegida, que é o que a União Européia quer, calculamos que cerca de 15% dos postos de trabalho (nas montadoras) vão desaparecer", afirma Saboya.

Sob insistência das indústrias química e automotiva alemãs, a UE pressiona o Brasil a aceitar a incorporação de cláusulas anticoncentração ao capítulo industrial do acordo, o que impediria o país de proteger todo um setor do corte geral de tarifas.

O IOS defende que a proteção é fundamental para preservar o emprego e garantir a continuidade de seu desenvolvimento industrial.

"Foi graças a uma forte política interna industrial que a Argentina conseguiu se recuperar da crise de 2001 e passar de uma taxa de desemprego de 25% à de 7%", defende o pesquisador.

Agricultura

Representantes do instituto estão acompanhando as negociações da rodada em Genebra a fim de pressionar o governo a "não trocar perdas na indústria por ganhos na agricultura", diz Saboya.

"Principalmente porque a maior parte dos ganhos que a rodada vai gerar para agricultura irá parar nas mãos das multinacionais, em vez de beneficiar os trabalhadores que se dedicam à agricultura familiar."

Saboya ressalta que o atual sistema agrário "é baseado em capital intensivo e investe em tecnologia, não em mão de obra".

Para o IOS, "as garantias de que o aumento nas exportações agrícolas vai gerar mais mão-de-obra são muito pequenas".

Cautela

O Itamaraty assegura que tem sido muito cauteloso em toda a negociação industrial e que sua posição se baseia em consultas realizadas junto a entidades do setor privado, como a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

No entanto, admite que é praticamente impossível estimar se eventuais perdas de emprego no setor industrial seriam compensadas com a criação de novos postos de trabalho na agricultura.

"Mas estamos trabalhando para que não haja perdas de emprego em nenhum setor. Só aceitaremos uma margem de corte (de tarifas de importação) que permita que a indústria brasileira não seja afetada", afirmou um diplomata.

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