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Atualizado às: 08 de junho, 2008 - 19h45 GMT (16h45 Brasília)
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Chávez culpa Farc por 'ameaça dos EUA' na região

Hugo Chávez
Chávez endureceu o tom em relação às Farc
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, endureceu o tom e criticou as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, por servir de pretexto para o que chamou de ameaça americana à região.

"A luta armada está fora de lugar (...) a guerra de guerrilhas passou à história e vocês das Farc devem saber de uma coisa, vocês se converteram em uma desculpa do império para ameaçar a todos nós, são a desculpa perfeita", afirmou o mandatário venezuelano em seu programa dominical de rádio e televisão Alô Presidente.

"O dia em que se faça paz na Colômbia acaba a desculpa do império, a principal dela, o terrorismo", acrescentou.

Essa é a primeira vez que Chávez utiliza um tom enérgico para criticar o método utilizado pela guerrilha fundada há 44 anos por Manuel Marulanda Vélez ou Tirofijo (tiro-certeiro em tradução literal), cuja morte foi anunciada há 15 dias.

O mandatário venezuelano, que desde o fracassado golpe de Estado de 2002 acusa Washington de querer derrubá-lo, disse que o governo dos EUA utiliza o terrorismo como subterfúgio para ameaçar a seu país com a possível instalação de uma base militar norte-americana na Colômbia.

"Terroristas"

Desde 2001, o governo da Colômbia, dos EUA e alguns países da União Européia qualificam as Farc como grupo terrorista.

"Agora estão planejando montar a base militar na Colômbia, já têm várias, mas essa é uma ameaça à Venezuela e a desculpa para isso é o chamado terrorismo na Colômbia", disse.

A polêmica sobre a instalação da base foi iniciada no começo do mês de maio, quando o governo colombiano anunciou a possibilidade de que a base militar norte-americana de Manta, no Equador, fosse transferida para seu território, já que o presidente equatoriano, Rafael Correa, não renovará a licença para a base, que vence em 2010.

Chávez, que em janeiro atuou como mediador para a libertação unilateral de seis seqüestrados pela guerrilha, fez um apelo para que o novo líder das Farc, Alfonso Cano, liberte o grupo de 39 reféns que ainda estão mantidos em cativeiro pelo grupo armado.

"Vamos soltem toda essa gente, há anciãos, mulheres, soldados doentes que têm 10 anos presos, já basta", disse Chávez, ao afirmar que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e outros mandatários latino-americanos e europeus estão dispostos a trabalhar em favor de um acordo de paz na Colômbia.

"Já basta de tanta guerra, já chegou a hora para sentar-se a falar de paz, chamamos a todos a buscar esse caminho", afirmou.

As críticas de Chávez ocorrem em meio a um ambiente de tensão entre seu governo e o de seu colega colombiano Álvaro Uribe, que o acusa de manter vínculos com o grupo armado.

O mandatário venezuelano nega as acusações e afirma que os contatos estabelecidos com as Farc foram realizados apenas quando Bogotá solicitou sua intervenção para mediar o acordo humanitário que previa a libertação de reféns em troca de guerrilheiros presos.

A crise diplomática na região andina, que também envolve o Equador, começou no dia 1º de março, quando o Exército colombiano realizou uma incursão militar em território equatoriano para eliminar um
acampamento da guerrilha.

Na operação, foi morto Raúl Reyes, o número dois das Farc.
guerrilha.

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