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ONG cobra explicações de Chávez sobre Farc | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) afirmou nesta terça-feira que o governo venezuelano deve explicar suas relações com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) diante da divulgação de e-mails trocados entre autoridades venezuelanas e guerrilheiros. Em nota distribuída à imprensa, a entidade, que tem sede em Nova York, menciona e-mails encontrados em laptops apreendidos por forças de segurança colombianas em um acampamento da guerrilha em março de 2008. As mensagens, diz a HRW, descrevem "diversos" encontros em que autoridades venezuelanas oferecem ajuda aos guerrilheiros, incluindo refúgio em território venezuelano, aquisição de armas e possivelmente até apoio financeiro. A Interpol anunciou, no mês passado, que uma análise pelos seus especialistas verificou que os arquivos eram autênticos e não haviam sido modificados enquanto ficaram sob custódia das autoridades colombianas. Na ocasião, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, ridicularizou a conclusão da Interpol. Mensagens A Human Rights Watch diz não ter tido acesso direto aos arquivos, mas informa ter revisado trechos de e-mails divulgados pelo governo colombiano. "Essas mensagens se referem a um encontro em que o presidente Chávez teria oferecido refúgio em território venezuelano", diz o comunicado da HRW. "Elas também mencionam encontros em que dois generais venezuelanos, Hugo Carvajal Barrios e Clíver Alcalá Cordones, parecem oferecer assistência à guerrilha para adquirir armas." "A mensagem de e-mail se refere a um outro encontro em que o ministro do Interior, Ramon Rodríguez Chacín, teria prometido facilitar a entrega de carregamentos de armas à guerrilha", acrescenta a nota. "Além disso, há várias mensagens que fazem alusão ao que parecem ser ofertas de apoio financeiro às Farc, incluindo alocando às guerrilhas uma porção de petróleo que eles poderiam vender para obter lucro." No ano passado, o presidente venezuelano atuou, com permissão do governo colombiano, como mediador em negociações com as Farc para libertar reféns mantidos pelos guerrilheiros. Simpatia Chávez nega que a Venezuela ofereça refúgio ou ajuda financeira à guerrilha ou ainda que mantenha contatos com comandantes das Farc que não sejam estritamente voltados para a libertação de reféns. "Ao mesmo tempo, porém, Chávez expressou repetidamente simpatia pelas Farc", diz a Human Rights Watch. "No seu esforço para convencer a comunidade internacional a deixar de classificar as Farc como um grupo terrorista, Chávez disse, em janeiro de 2008, que as Farc tinham 'um projeto político e bolivariano respeitado' na Venezuela". A Human Rights Watch acusa as Farc de um "terrível" histórico de crimes de guerra e contra a humanidade, com seqüestros "sistemáticos", seguidos de longos cativeiros em condições "horrendas", além de práticas de "assassinatos, torturas e massacre de civis". O grupo diz ainda que as Farc recrutaram menores de idade, incluindo muitos com menos de 15 anos, idade mínima para recrutamento prevista nas Convenções de Genebra. "Crianças nas fileiras das Farc que tentam desertar freqüentemente levam tiros, e as Farc são conhecidas por mandar crianças torturar ou executar outras crianças ou inimigos capturados." Segundo a entidade, Hugo Chávez deveria explicar o que foi discutido nos encontros que ele e seus subordinados mantiveram com os guerrilheiros, além de instruir subordinados a não prestar nenhum tipo de assistência às Farc e punir aqueles que o fizeram. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Chávez lamenta não ter se reunido com líder das Farc30 maio, 2008 | BBC Report Arquivos das Farc são verdadeiros, diz Interpol16 maio, 2008 | BBC Report Controlar infiltração das Farc é impossível, diz Correa14 maio, 2008 | BBC Report Chávez acusa Colômbia de querer provocar guerra12 maio, 2008 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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