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Atualizado às: 26 de maio, 2008 - 17h02 GMT (14h02 Brasília)
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Morte de Marulanda mergulha Farc em dúvidas
Manuel Marulanda
Marulanda liderou Farc desde o início da organização
Março foi um mês desastroso para as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Três dos sete membros de seu comando, inclusive o líder máximo da organização, Manuel Marulanda, morreram ou foram assassinados.

Mas é a morte de Marulanda que mais faz levantar incertezas sobre o futuro do grupo guerrilheiro, já que Tirofijo ("Tiro Certo", em tradução livre do espanhol), como era conhecido, é apontado como o homem que construiu as Farc, transformado a organização em um dos mais poderosos e ricos grupos insurgentes do mundo.

Analistas colocam em dúvida a habilidade de Alfonso Cano, apontado pelas Farc como sucessor de Marulanda, para substitui-lo de forma efetiva e evitar um aumento no número de deserções.

Outra dúvida é em relação a uma possível divisão dentro do grupo, exacerbada pela morte de Tirofijo.

"Marulanda era um fundador mítico, que deu coesão aos rebeldes", diz Alejo Vargas, professor universitário e analista do conflito colombiano.

Deserções

Mesmo antes da morte de Marulanda, as deserções se transformaram no calcanhar de Aquiles das Farc. Mais de 220 rebeldes desertaram apenas no primeiro trimestre deste ano.

Muitos dos rebeldes, especialmente os que atuam em regiões sob pressão do Exército colombiano, se sentem atraídos pelas generosas recompensas e pelas regalias judiciais para aqueles condenados por crimes.

Um duro golpe para as Farc foi a deserção, em 19 de maio, de uma das mulheres mais importantes na hierarquia das Farc, conhecida como Karina.

Passando fome e cansada de fugir dos militares colombianos, a comandante de uma das frentes do grupo rebelde se rendeu afirmando que o esforço militar para conquistar o poder na Colômbia estava acabado.

Karina se entregou e disse que esforço militar das Farc acabou

Um eventual aumento do número de deserções, além de enfraquecer a força militar das Farc, poderia proporcionar aos militares colombianos o acesso a mais informações para combater os rebeldes que continuarem na ativa.

Mono Jojoy

Há muito tempo, há rumores de divisões nas Farc entre seu braço político, representado por Alfonso Cano, e o braço militar, liderado por Mono Jojoy.

Jojoy é o comandante de uma das divisões mais poderosas da guerrilha, o Bloco do Leste, do qual fazem parte cerca de 4 mil rebeldes.

"Para muitos comandantes das Farc, o líder natural seria Mono Jojoy", afirma uma fonte de inteligência colombiana.

"Ele foi guarda-costas de Marulanda, é um homem que conhece táticas de guerrilha e que planejou muitas das operações de sucesso das Farc."

Além de ter poder militar, Jojoy também controla algumas das maiores áreas de produção de folha de coca, fonte importante de divisas dos rebeldes.

Caso Jojoy reclame a liderança da organização, as Farc podem rachar.

Entretanto, a indicação de Alfonso Cano foi aprovada pelo comando do grupo, do qual Mono Jojoy faz parte – o que leva a crer que uma decisão de consenso pode ter sido alcançada.

Sendero Luminoso

Ninguém acredita que as Farc vão se desfazer como aconteceu com o grupo maoísta peruano Sendero Luminoso quando o líder da organização, Abimael Guzmán, foi preso em 1992.

As Farc têm uma estrutura que resiste à perda de líderes-chave e uma quantidade suficiente de membros com destaque e carisma que garantiriam sua continuidade.

O fato de a organização ainda faturar centenas de milhões de dólares com drogas, seqüestros e extorsões também garante que ela continuará tendo a capacidade de recrutar novos membros e equipar novos soldados.

Mas o governo colombiano diz acreditar que a morte de Marulanda foi um duro golpe para os rebeldes.

"As Farc estão irreversivelmente enfraquecidas e em declínio", disse o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos. "Nós estamos ganhando, mas não podemos cantar vitória ainda."

Manuel MarulandaManuel Marulanda
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