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Atualizado às: 17 de março, 2008 - 11h04 GMT (08h04 Brasília)
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Brasil vai liderar batalha diplomática contra EUA, diz 'Página 12'
Sede da OEA em Washington (Foto: Juan Manuel Herrera - OEA)
OEA vai sediar reunião sobre crise regional nesta segunda-feira
“O Brasil vai liderar uma discreta batalha diplomática hoje com os Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos(OEA), diz reportagem publicada nesta segunda-feira pelo diário argentino Página 12.

“Os governos do Brasil e dos Estados Unidos defenderam posições contrárias durante o conflito regional: enquanto o presidente (Luiz Inácio) Lula da Silva ‘condenou’ a ‘violação da integridade regional’, seu colega George W. Bush ratificou o respaldo ao presidente colombiano Álvaro Uribe em sua luta contra o ‘terrorismo’.”

Segundo o jornal, o governo brasileiro deverá, em acordo com representantes dos governos argentino, chileno e venezuelano, montar um “dique de contenção contra as manobras americanas para desculpar o presidente (colombiano) Álvaro Uribe pela invasão do território equatoriano”.

Nesta segunda-feira, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, deverá apresentar um relatório sobre sua visita ao acampamento das Farc, atacado por tropas colombianas no dia 1º de março, “dando origem à crise que estremeceu a região”.

Segundo o Página 12, o governo americano deverá argumentar, na reunião em Washington, que o combate ao terrorismo não pode respeitar as fronteiras e a “noção tradicional de soberania deve ser substituída pela de soberania relativa”.

“Para o Brasil, por outro lado, é inegociável a defesa do artigo 21 da Carta da OEA, que consagra a inviolabilidade dos territórios nacionais.”

De acordo com o jornal, Brasília estaria disposta a aprovar na reunião desta segunda-feira, na OEA, a criação de um grupo diplomático-militar formado por colombianos e equatorianos para atuar na fronteira ente os dois países.

Para o Página 12, a posição brasileira demonstra, além de solidariedade com o Equador, a defesa do interesse próprio, já que “o princípio da soberania relativa poderia abrir espaço para a criação de tropas multinacionais que se dêem o direito de entrar nos quase quatro milhões de quilômetros quadrados da Amazônia brasileira”.

O jornal ainda afirma que a morte de Raúl Reyes, o número 2 das Farc, na ação colombiana, foi uma “derrota” para Lula, já que Reyes era o principal negociador da guerrilha com governos estrangeiros, e desde o fim de 2007 o Brasil havia “apostado na liberação dos seqüestrados em poder da guerrilha e se somou às primeiras tentativas de resgate promovidas pelo presidente venezuelano Hugo Chávez”.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, teria inclusive dito ao Página 12 que, para o Palácio do Planalto, teria sido preferível que a disputa entre Equador e Colômbia tivesse sido resolvida regionalmente.

“Em outras palavras: Para o titular da diplomacia brasileira era melhor que a Casa Branca tivesse mantido distância do problema, o que não ocorreu”, afirma o diário argentino.

Ivan RíosFarc
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