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Atualizado às: 21 de fevereiro, 2008 - 09h35 GMT (06h35 Brasília)
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Febeapá americano

Jay Leno, apresentador do talk show mais popular da noite, uma vez por semana vai às ruas de Los Angeles em busca da cultura americana.

As entrevistas abrangem todos os assuntos:

“Quem lutou na Guerra de Secessão?”
“França e Inglaterra, responde o entrevistado.”

Às vezes, acertam uma parte.

“Foi uma guerra civil nos Estados Unidos.”
“Quem contra quem?”
“Os brancos contra os negros.”

Os entrevistados não são balconistas sem educação. A maioria tem curso universitário e uma vez por mês, três são escolhidos para uma final no estúdio, com prêmios.

Jay Leno coloca a foto do vice-presidente Dick Cheney no telão.

“Quem é este homem?”
“Dá uma dica”, pede um deles. "Ator de cinema?"
“Não. Político." diz Jay. "O nome dele é Dick". Ninguém acerta.

Noutro programa, que está em primeiro lugar no horário nobre, o animador pergunta:

“Por US$25 mil dólares, responda: Budapest é a capital de qual país da Europa?”

“Hmmmm…Pensei que a Europa fosse um país? Não é?”

Uma exaltação à burrice dos americanos, o programa chama-se Você é mais esperto do que um estudante da quinta série?.

São crianças de 10 e 11 anos competindo com adultos, neste caso era uma celebridade, uma cantora premiada do programa American Idol.

Impossível medir se o forte da ignorância do país está na política, geografia, história ou finanças, mas nas competições internacionais, os americanos estão sempre entre os piores em matemática, ciências e leitura.

Petróleo e praia

Para combater esta ignorância/desinteresse, a rede de televisão CBS acaba de contratar dois cartunistas que explicam alguns temas mais complicados, como, por exemplo, o que é um superdelegado (delegados ‘biônicos’ que participam das convenções nacionais democratas), em forma de história em quadrinhos. Sucesso instantâneo.

Os americanos sabem localizar um país se:

1- tem petróleo e é inimigo dos Estados Unidos e, mesmo assim, trata-se de uma minoria (num estudo recente, só 23% de estudantes universitários sabiam onde ficavam Irã, Iraque, Israel e Arábia Saudita)

2- fica no Caribe e tem praias.

Muitos sabem que os vizinhos são o Canadá e o México, mas a maioria não sabe qual fica em cima.

A ignorância americana já foi tema de vários livros e estudos. O mais recente é da escritora Susan Jacobi, que responsabiliza principalmente o excesso de vídeo e a falta de leitura. Além disso, há um grande número de americanos que se orgulham de não precisar de tanta informação. O negócio é ser feliz, escreve Jacobi.

Apenas 14% da população acha que é importante falar uma segunda língua, menos de 10% dos americanos tem passaporte e um em 5 acha que o sol gira em torno da terra.

Susan Jacobi, viciada em leitura deste a infância, sempre se incomodou com a ignorância americana, mas a decisão de escrever um livro nasceu no dia do ataque às torres em Nova York.

Ela contou a jornalista Patricia Cohen, que naquela noite estava num bar ouvindo a conversa de dois homens bem vestidos, diante de uma televisão. Um deles dizia que era como o ataque de Pearl Harbor.

O outro perguntou o que era Pearl Harbor.

“Foi quando atacaram os navios americanos no golfo e começou a guerra do Vietnã.”

Para um país que gasta tanto em educação ter uma população tão ignorante e politicamente alienada pode ser engraçado nos programas de televisão e para o deboche do resto do mundo, mas tem seus perigos.

O senador Barack Obama provavelmente será o candidato do partido democrata sem jamais ter explicado os detalhes dos seus programas econômicos e de saúde. Mataria os ouvintes de tédio.

Os comícios dele oferecem muito entretenimento e pouca informação, uma fórmula parecida com a do senador George McGovern, o candidado antiguerra do Vietnã, que foi massacrado pelo republicano Richard Nixon em 72.

Ele dizia que McGovern era o candidato da anistia, do ácido e do aborto.

O liberalismo de Obama é prato feito para este tipo de campanha negativa.

A história poderá se repetir em 2008 entre McCain e Obama.

Arquivo - Lucas
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