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Protestos reúnem milhares contra as Farc | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Milhares de pessoas participaram nesta segunda-feira de uma série de protestos nas ruas de 125 cidades do mundo contra as ações das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a principal guerrilha colombiana. Com o lema "Não mais mentiras, não mais seqüestros, não mais Farc", a marcha convocada por um grupo de jovens por meio do site de relacionamentos Facebook causou polêmica. Algumas organizações sociais colombianas afirmam que a manifestação deveria ser contra todos os grupos violentos do país, incluindo os paramilitares. As principais associações de direitos humanos da Colômbia e os familiares dos seqüestrados, entre eles os parentes dos três novos reféns que as Farc anunciaram que serão libertados, se negaram a participar da manifestação, argumentando que a iniciativa foi politizada. Os protestos contam com o apoio do presidente colombiano Álvaro Uribe. De acordo com os organizadores, as manifestações foram realizadas em 45 cidades da Colômbia e reuniram 1 milhão de pessoas em todo o país. Venezuela Em Caracas, uma das capitais que se uniu à jornada mundial de protestos, a manifestação reuniu cerca de 400 pessoas e também assumiu um caráter político. Os principais organizadores da manifestação pertencem a setores da oposição ao governo do presidente Hugo Chávez. Vestidos com camisetas brancas e levando bandeiras com as frases "Sim à liberdade, à vida, não mais Farc", os dirigentes do movimento estudantil opositor assumiram os discursos contra a guerrilha e também contra a decisão do governo venezuelano de mediar o conflito.
"O povo venezuelano tem que ser solidário com os povos, não com os terroristas latino-americanos", discursou o dirigente estudantil Yon Goicochea. Colômbia e Venezuela compartilham mais de 2 mil quilômetros de fronteira. Em mais de cinco décadas do conflito colombiano, milhões de imigrantes e centenas de refugiados cruzaram a fronteira para o lado venezuelano. "Não estou de acordo com o terrorismo das Farc, queremos paz para nós e para os colombianos", disse à BBC Brasil a manifestante Rosa Hernandez. Novas libertações As manifestações se realizaram em meio a um novo anúncio das Farc, que prometeram libertar os ex-congressistas colombianos Gloria Polanco de Lozada, Luis Eladio Pérez e Orlando Beltrán, seqüestrados em 2001. Eles devem ser entregues ao presidente venezuelano Hugo Chávez e à senadora colombiana Piedad Córdoba, ou a "quem eles indicarem", de acordo com as Farc. Os congressistas fazem parte do grupo de 43 reféns que as Farc consideram passíveis de troca, e que inclui a ex-candidata à presidência Ingrid Betancourt. O governo da Venezuela já deu início à gestão de libertação dos reféns que poderia repetir a mesma estratégia utilizada em janeiro, quando foram libertadas Clara Rojas e Consuelo González de Perdomo. Crise diplomática Por meio de um comunicado emitido na noite de domingo, o governo de Chávez descreveu o anúncio das novas libertações como um gesto de "boa vontade" da guerrilha. "Toda a Venezuela valoriza o fato de que as Farc continuem motivadas para alcançar um acordo humanitário que constitui um passo firme e definitivo para a paz na Colômbia e em toda a região", diz o comunicado. O governo da Colômbia já deu o aval para a realização do resgate e disse que dará todas as garantias para que uma operação humanitária coordenada por Chávez liberte os três ex-congressistas. Ainda sem data marcada, o resgate poderá ocorrer em meio à pior crise diplomática entre os governos da Venezuela e da Colômbia. No domingo, Chávez disse que o governo colombiano estaria preparando uma agressão militar contra a Venezuela, razão pela qual as tropas venezuelanas já estariam em alerta. O líder venezuelano afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua colega argentina, Cristina Kirchner, "estão preocupados". |
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