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Atualizado às: 12 de janeiro, 2008 - 09h12 GMT (07h12 Brasília)
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Ex-refém conta que tentou fugir com Ingrid Betancourt

Clara Rojas no reencontro com a mãe
Clara Rojas se reencontra com a mãe
A advogada Clara Rojas, libertada nesta quinta-feira pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colombia (Farc), disse que tentou escapar do cativeiro junto com a sua colega, a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, que ainda está sob poder da guerrilha.

“Tentamos fugir logo no começo do seqüestro. Não conseguimos. Nos acorrentaram durante um mês, depois nos tiraram as correntes (...) eles (guerrilheiros) nos disseram que era impossível sobreviver na selva por causa dos animais (...) havia muita angústia”, contou Clara, que era assessora de Ingrid no momento em que foram seqüestradas.

Clara e Consuelo González de Perdomo relataram em entrevista coletiva realizada na noite desta sexta-feira em um hotel de Caracas alguns detalhes de seus seis anos de cativeiro e do momento em que foram libertadas.

A ex-congressista conta que ela e Clara, souberam da libertação por meio de uma notícia transmitida por rádio. “Quando soubemos do gesto humanitário das Farc nos tomou uma alegria imensa e ao mesmo tempo uma tristeza indescritível por deixar os companheiros no cativeiro”, disse.

Foi também por meio do rádio que Consuelo soube da morte de seu marido, em 2005, e o nascimento de sua primeira neta. “Uma das coisas que me manteve viva foi a vontade de conhecer a minha neta Maria Juliana”, conta.

Resgate

As duas mulheres deixaram o acampamento guerrilheiro no dia 20 de dezembro. “Nos disseram para pegar nossas coisas (...) e começamos a caminhar pela selva”, conta Clara. A caminhada durou 20 dias. “Víamos que havia muita preocupação deles (guerrilheiros) pela presença do Exército” relata Clara.

No dia 31 a guerrilha enviou uma carta ao presidente venezuelano Hugo Chávez informando que por causa das operações militares realizadas pelo Exército colombiano teriam de adiar a operação.

“A guerrilha não informava nada. Eu assumo que uma das razões era Emmanuel (seu filho nascido em cativeiro que não estava em poder da guerrilha) e também pela presença militar na zona”, disse Clara.

Duas semanas depois da primeira tentativa, as Farc anunciaram as novas coordenadas ao governo venezuelano e o resgate foi concluído.

“Saí correndo quando vi os helicópteros da Cruz Vermelha (...) Foi uma sensação maravilhosa”, conta Clara.

Polêmica

O presidente Hugo Chávez afirmou nesta sexta-feira que as Farc e o ELN (Exército de Libertação Nacional) são um grupo insurgente e não terroristas, como qualifica o governo da Colombia.

Clara Rojas disse não compartilhar a opinião. “O delito de sequestro é de lesa humanidade, me preocupa (...) eu não comparto”, disse Clara.

Consuelo não comentou as declarações de Chávez. A seu ver, a gestão realizada pelo presidente venezuelano foi fundamental para alcançar a libertação.

Para a ex-congressista, o fim do conflito colombiano só será alcançado quando uma negociação entre governo e guerrilhas for estabelecida.

“Esse não é o caminho. A violência não leva à nada, a saída é política”, disse Consuelo.

Futuro

A ex-congressista admitiu que ainda se assusta quando escuta o ruído de helicópteros sobrevoando a cidade de Caracas. “Estamos tão aterrorrizados com os helicópteros porque associo que logo depois virá uma ráfaga de metralhadora (...) vivemos de perto os bombardeios”, relata.

Apesar do trauma, Consuelo diz que vai tentar levar uma vida tranqüila e se dedicará a alcançar o acordo humanitário para a libertação de novos reféns.

Clara, que há mais de dois anos não vê seu filho Emmanuel, disse que o próximo passo é obter a guarda do menino que está internado em um orfanato em Bogotá.

“O encontro com Emmanuel poderá ser em poucos dias (...) vamos fazer um processo de acompanhamento para que esta situação seja o menos traumática possível para ele”, afirmou.

“É difícil esquecer tudo isso, mas quero me livrar desta carga negativa, para cicatrizar as feridas”.

A ex-refém das Farc Clara RojasColômbia
Libertação de reféns é marco em guerra política no país.
Refém libertadaReféns libertadas
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