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Análise: Libertação de reféns reabilita Chávez como mediador | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A libertação de duas reféns que eram mantidas pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) reabilita o presidente venezuelano, Hugo Chávez, como mediador entre o governo colombiano e os rebeldes. Clara Rojas e Consuelo González de Perdomo foram levadas nesta quinta-feira de helicóptero para a Venezuela, após seis anos de cativeiro na selva colombiana. Chávez tinha consciência de que, além da vida das duas mulheres, estava em risco também a sua credibilidade internacional. Ela teria saído no mínimo abalada se a sua terceira tentativa de intermediação no processo tivesse fracassado. O presidente venezuelano sugeriu a possibilidade da libertação dos reféns em novembro do ano passado, durante visita oficial à França. Dias se passaram e nada se concretizou. No fim do ano, as Farc prometeram libertar as duas reféns e o filho de Clara Rojas, Emmanuel. Mas na última hora os guerrilheiros suspenderam a operação com o argumento de que o Exército colombiano não havia liberado a área para que pudessem se movimentar com os reféns. Mais tarde, soube-se que, assim como alegava o governo colombiano, Emmanuel estava vivendo num orfanato havia dois anos, com outro nome. Nesta que foi a terceira tentativa, os rebeldes de fato libertaram as duas reféns. Principal interlocutor Apesar das idas e vindas, Chávez continua sendo o principal interlocutor entre a guerrilha e o governo colombiano, independentemente de ter ou não esse título oficialmente. O governo colombiano havia lhe dado o aval para esta missão, mas não porque tenha recuperado a sua confiança nele, mas porque não tinha outra alternativa. Mas quem dita os prazos e os termos do processo de libertação são as Farc. Ninguém mais. O fato de terem dito que mantinham o menino Emmanuel em seu poder foi um golpe para Chávez, que durante todo o tempo acreditou nos guerrilheiros. Mas também foi um golpe para as Farc, que passaram para o mundo a imagem de mentirosas. Ainda assim, na opinião do editor do centro de estudos Oxford Analytica para América Latina, Neil Pyper, os rebeldes se saem como os "principais vencedores deste drama". "Toda libertação é vista como algo positivo", diz Pyper, sugerindo que o maior crédito deverá ficar com quem libertou os reféns. O governo colombiano disse nesta semana que não aceitará novas comissões internacionais, mas se as Farc continuarem recorrendo a Chávez como interlocuctor, Bogotá terá de aceitá-lo. O drama dos reféns voltou a ter relevância internacional e nenhum país quer ser visto como um obstáculo ao diálogo. Mas o governo colombiano também se fortaleceu no processo, principalmente depois que veio à tona a verdade sobre Emmanuel. Dias depois da revelação de que o menino estava num orfanato, o Exército colombiano capturou o líder militar do ELN, a segunda maior guerrilha do país, o que também favoreceu o governo. |
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