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Análise: Discurso é canto de cisne de Bush | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Para 3/4 dos americanos o estado da nação não é grande coisa. O estado da presidência tampouco impressiona a opinião pública. Há grandes expectativas sobre o futuro, com o ciclo eleitoral em curso se confirmando como um dos mais competitivos e fascinantes da história. George W. Bush também tem expectativas de que o futuro reserve um julgamento mais generoso sobre seu governo do que as avaliações do momento. Este foi o pano de fundo do discurso proferido pelo presidente na segunda-feira à noite sobre o Estado da União em sessão conjunta no Congresso. Seu sétimo e último pronunciamento neste solene formato. Os doze meses restantes de governo são especialmente ingratos para um presidente americano na condição de "lame duck", ou "pato manco". O ocupante até dá passos para mostrar que ainda é relevante, mas Bush parecia em geral alheio a seu próprio discurso. Última Chance O discurso de segunda-feira à noite talvez tenha sido uma das últimas oportunidades de Bush para chamar atenção sobre suas propostas e seu próprio governo. E não houve como o presidente usar o privilégio para um ganho espetacular. Ele apresentou algumas propostas modestas em educação e saúde, além da reciclagem de temas, mas sem grandes iniciativas de discursos anteriores como as fracassadas tentativas de reforma da imigração e previdência social. A guerra no Iraque segue impopular, apesar de alguns ganhos táticos com o reforço de tropas americanas, e outro pilar da presidência, a economia, está frágil. Isto quer dizer que Bush perde nas duas frentes cruciais de combate. A recessão poderá ser a marca do seu último ano de mandato e a doutrina Bush, de ataques preventivos, que abriu caminho para a invasão do Iraque, parece enterrada, embora o presidente não tenha resistido a estocadas retóricas contra o Irã no discurso de segunda-feira. Existem movimentações às pressas para conter os estragos econômicos, com o pacote de estímulos fiscais que a Casa Branca já amarrou com a maioria democrata na Câmara, mas não no Senado. Há um mês, nos primeiros rascunhos do discurso, nem havia menção à emergência econômica. Na segunda-feira, Bush admitiu que a economia passa por um "período de incerteza", mas que a longo prazo os americanos devem estar confiantes sobre crescimento. Ele pediu uma rápida aprovação do pacote de estímulos, justamente para afugentar o fantasma da recessão. Costurar um pacote econômico comprova que mesmo um "pato manco" ainda tem margem de manobra simplesmente por ocupar o Salão Oval da Casa Branca. E Bush ainda tem o poder de veto. No discurso, o presidente ameaçou utilizá-lo caso congressistas sejam pródigos para a aprovação de verbas para seus Estados. Tal rigor fiscal não era registrado quando os republicanos tinham maioria no Congresso e o compromisso de Bush acontece tarde demais. Legado Uma pesquisa Wall Street Journal/TV NBC mostra que para 70% dos americanos, a presidência Bush ficará caracterizada como pior que a maioria ou não tão boa como as anteriores. Para dar uma medida, 45% fizeram esta avaliação um ano antes do final do governo Clinton, em janeiro de 1999. Bush costuma dizer que no curto prazo a história erra e que a longo prazo são feitos os acertos. No aqui e agora, a história é implacável. Uma coalizão republicana que durou 30 anos para ser armada, reunindo conservadores em segurança nacional, a direita religiosa e os ortodoxos econômicos, talvez tenha sido destruída no segundo mandato de Bush. O presidente, no entanto, quer deixar o seu legado para um sucessor republicano. Um exemplo flagrante foi o apelo para que o Congresso ratifique os acordos de livre comércio com a Colômbia, Panamá e Coréia do Sul, num momento em que vozes protecionistas são mais estridentes. Candidatos republicanos preferem invocar Ronald Reagan e não o atual ocupante da Casa Branca. Ironicamente um modelo de Bush em termos de legado é o democrata Harry Truman, que deixou a presidência bastante diminuído em 1953, mas acabou engrandecido nos livros de história. O acerto, ou não, de contas, somente dentro de algumas décadas. Em 29 de janeiro de 2008, o estado da presidência Bush é sofrível. |
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