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Análise: Desmoralizados, republicanos têm duro desafio nas eleições | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma vitória republicana nas eleições presidenciais americanas em novembro será muito mais fruto de uma campanha negativa e incompetência da ofensiva democrata do que de virtudes do partido do presidente Bush. Incompetência, aliás, é um termo que define o legado da atual administração. É um fardo tão pesado que nos comícios e debates a legião de candidatos republicanos quer distância do atual ocupante da Casa Branca. O garoto-propaganda é um outro presidente republicano, Ronald Reagan, com a pregação de otimismo daqueles tempos, assim como de promessas de uma dura eficiência em segurança nacional. Bush derrapou para derrotar o "eixo do mal", mas Reagan triunfou contra o "império do mal" comunista. De fato, os republicanos têm pouco a oferecer além de uma volta ao futuro. A revista Time em dezembro apresentou uma tese interessante. Uma razão para a corrida das primárias republicanas estar tão aberta é o fato do partido sofrer de "fadiga intelectual". As propostas dos seus candidatos em áreas que vão de política externa à saúde estão distantes do sentimento popular. O desastre Katrina e o vexame no Iraque removeram a pretensão dos republicanos de governarem com mais eficácia do que os democratas. Vitórias acidentais Mas Bush não pode ser um bode expiatório. De certa maneira, suas vitórias em 2000 e 2004 foram acidentais. No primeiro caso, fruto de um esdrúxulo sistema eleitoral e de uma controvérsia legal. A segunda vitória aconteceu graças ao sinistro cabo eleitoral Osama bin Laden. Isto quer dizer que os dois mandatos de Bush adiaram o acerto de contas. Os republicanos que reconquistaram o Congresso na chamada revolução de 1994 perderam o gás. Invocar o legado de Ronald Reagan é reviver um roteiro do passado, o que apenas realça as promessas de mudança dos democratas. A mudança inclusive é marcante no figurino. Na galeria republicana estão um bando de homens brancos para lá de cinqüentões. Os democratam desfilam com a mulher Hillary Clinton, o negro Barack Obama e o latino Bill Richardson. Se Hillary perdeu a aura de inevitabilidade, entre os republicanos o favoritismo do ex-prefeito de Nova York, Rudolf Giuliani, sempre foi frouxo. Sua mensagem "sempre alerta" contra o terror tem ressonância por seu papel em 11 de setembro de 2001, mas Giuliani por mais que tenha cortejado a poderosa direita religiosa dos republicanos não conseguiu seduzi-la. Mike Huckabee Na tenda republicana está cada vez mais difícil a coexistência entre alas que incluem essa direita religiosa, a turma da pesada em segurança nacional (como Giuliani) e os conservadores econômicos. A fluidez entre os republicanos sempre prometeu ser mais intensa do que entre os democratas. Basta ver a espetacular ascensão de Mike Huckabee, o favorito da direita religiosa. Talvez ele não tenha muito gás além das primeiras primárias, o que apenas pode reforçar o grau de incerteza e de divisões entre os republicanos. A fadiga intelectual e as divisões eram compensadas pela perspectiva de ter Hillary Clinton como a grande inimiga em novembro. Ninguém como a ex-primeira-dama para motivar a base republicana e reviver as guerras do passado. Com a indefinição na corrida democrata, mais uma incerteza para os republicanos. Nem tudo, é claro, está perdido. Os republicanos parecem capazes de canalizar com mais eficiência do que os democratas um grande foco de preocupação dos eleitores que é imigração ilegal. Com oportunismo, candidatos que já expressaram mais sensibilidade nesta questão complexa e passional, como Giuliani e Huckabee, hoje assumem o discurso mais policialesco e demonizam os ilegais. É uma mensagem de medo e não de esperança. Em tempos incertos, pode funcionar. |
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