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Atualizado às: 02 de janeiro, 2008 - 19h19 GMT (17h19 Brasília)
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Análise: Vitória democrata é provável, não inevitável

Hillary Clinton, Barack Obama e Chris Dodd
Clinton e Obama (centro) lideram as pesquisas democratas
A vitória de Hillary Clinton nas primárias democratas perdeu a aura de inevitabilidade. Barack Obama vem, de novo, aí (e John Edwards não vai desistir antes de começar).

O triunfo democrata nas eleições gerais de novembro tampouco é inevitável. Não sabemos qual republicano vem aí. Como gostava de dizer o ex-secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, a situação é fluída.

Hillary, claro, pode vencer as primárias. Mas sua narrativa de vitória, simplesmente, foi suspensa. Barack Obama pode se revelar, de novo, apenas como um fenômeno que não aguentará o tranco da máquina eleitoral da ex-primeira-dama. E com toda fluidez, é mais provável que os democratas vençam em novembro. Por quê?

Na remontagem do clássico slogan se dizia que era o "Iraque, estúpido". Fuzilaria sobre o vexame do governo Bush mataria pretensões republicanas em novembro. Mas algumas vitórias táticas na guerra levaram os eleitores americanos a desviar um pouco a atenção do Iraque e do fiasco da empreitada Bush.

Os democratas preferem falar menos de Iraque e das promessas de uma retirada radical das tropas americanas do país. Nenhuma razão para uma prematura celebração republicana. Apesar do sucesso, os americanos ainda acham que o Iraque não compensa e o quadro segue precário por lá. Ademais, existem revezes em outras frentes de batalha.

Crise imobiliária

Voltamos ao original, "é a economia, estúpido". Questões econômicas abafaram as preocupações com segurança nacional (Iraque e terror), com destaque para a crise imobiliária, volatilidade no mercado financeiro, contração do crédito, alta dos preços de energia e a perspectiva de recessão em 2008.

Mesmo os estrategistas republicanos reconhecem que os democratas têm vantagens históricas nos ciclos eleitorais em muitas questões domésticas. E com a deterioração econômica, é normal que o partido que ocupa a Casa Branca pague a conta eleitoral.

Bill Whalen, pesquisador do conservador Instituto Hoover, na Califórnia, e um dos comandantes da fracassada campanha de reeleição do primeiro presidente Bush em 1992, admite que com uma economia fraca, o candidato democrata irá atualizar a fulminante pergunta de Ronald Reagan ao eleitor: você está melhor do que há oito anos?

Alta inflacionária no governo Carter trouxe a vitória de Reagan em 1980. Em 1992, a frase emblemática da bem sucedida campanha de Bill Clinton contra o primeiro presidente Bush foi justamente "é a economia, estúpido".

Agora, com os descaminhos econômicos, os democratas têm uma narrativa até mais próxima do cotidiano dos americanos do que o Iraque. Podem argumentar que a difusa classe média perdeu terreno durante a administração Bush e que, mais do que nunca, é preciso investir em planos para tornar saúde e educação mais baratas ao invés de priorizar o corte dos impostos das camadas mais ricas.

Baixo astral

Vamos ser mais abrangentes. A rigor, "é tudo, estúpido". O jornal USA Today, antenado como poucos no sentimento americano, disse que se trata dos "Estados Infelizes da América". Uma pesquisa encomendada pelo jornal ao Instituto Gallup revela que a menos de um ano das eleições, a maioria dos americanos estão desconsolados com os rumos nacionais, pessimistas sobre o Iraque e ansiosos sobre a economia.

Na pesquisa, dois terços se dizem insatisfeiros. Desde abril passado, menos de um terço dos americanos expressam otimismo. Não se registrava este baixo astral exatamente há 15 anos, quando o novato e meio obscuro Clinton venceu as eleições presidenciais. Hoje o calejado Clinton, infatigável na campanha pela mulher, diz que Obama carece de experiência para o cargo supremo.

Claro que as atitudes a favor de mudanças podem, bem, mudar até novembro, mas a paisagem tem as cores democratas. O ambiente é para um motim contra o status quo.

Uma candidata também com o sobrenome Clinton insiste ser a agente da mudança, em um argumento que acompanha uma propalada experiência. Os americanos estão inclinados a mudar o partido que manda na Casa Branca e um candidato inexperiente que certa vez se definiu como magrela de nome engraçado pode ter esperanças de que venha a ser o novo inquilino da mansão da avenida Pensilvânia. Nada, porém, é inevitável.

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