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Queda dos juros nos EUA pode segurar câmbio, diz economista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O queda da taxa de juros nos Estados Unidos – de 4,25% para 3,5% - pode atrair para o país investimentos que ajudariam o Brasil a manter o dólar desvalorizado mesmo se a crise nos Estados Unidos levar a uma desaceleração da economia mundial, na avaliação do economista Francisco Pessoa, da consultoria LCA. “O diferencial de juros vai tornar o real atraente de novo”, afirma o economista. A LCA projeta um dólar de R$ 1,70 no fim do ano, menor do que a cotação atual, o que reduziria o risco de pressões inflacionárias, hoje uma das maiores preocupações do governo. As expectativas de inflação do mercado para este ano, de 4,37%, já estão próximas ao centro da meta do governo, de 4,5%. Investimentos O raciocínio do economista é que o efeito inicial da crise nos mercados internacionais seria uma aversão ao risco nos investimentos e uma fuga de papéis brasileiros para títulos do governo americano, em busca de proteção, o que poderia pressionar o dólar no país. Depois de um tempo, no entanto, no caso de a crise não se aprofundar, o diferencial de juros traria os investimentos de volta ao Brasil, reduzindo a cotação do dólar no país. O dólar a R$ 1,70, na avaliação dele, abre espaço para uma queda de juros no segundo semestre, depois de afastado o risco de inflação. O impacto da crise dos mercados financeiros no Brasil, diz ele, vai depender do tamanho da desaceleração americana e do impacto em outros países paras os quais o país exporta. Commodities Além de atingir diretamente as exportações para os Estados Unidos, o crescimento menor pode influenciar também as vendas para outros países que exportam para os americanos, como Chile e Argentina. “Tem o impacto direto do Brasil e tem o impacto indireto causado pelos Estados Unidos aos seus outros parceiros comerciais”, diz ele. Os preços das commodities agrícolas, que já subiram 50% nos últimos 12 meses, devem se manter mesmo com uma crise, na avaliação do economista. Ele acha que outros fatores vão continuar pressionando os preços de produtos exportados pelo Brasil, como o programa de etanol de milho nos Estados Unidos, que pressiona a soja. “A dinâmica dos preços agrícolas responde a outros fatores que vão além do nível de atividade mundial”, diz Pessoa. Recessão O economista acha exageradas as avaliações sobre a gravidade da crise nos Estados Unidos e diz que embora os números recentes sobre a economia americana sejam piores do que se esperava, ainda não permitem falar em recessão. “O pânico, o medo da recessão, se espalhou. E isso aumentou as chances de ter uma recessão, porque as pessoas adotam posturas mais defensivas. O consumidor pára de comprar, o empresário pára de investir. E este medo acaba tendo um impacto real”, afirmou. O Brasil tem hoje mais resistência a uma crise do que nas crises anteriores, nos anos 90 e início de 2000, diz. Mas ele acha que ainda é muito cedo para afirmar que o país passará por ela ileso. “Não dá pra dizer que a gente não vai ser afetado porque hoje rigorosamente ninguém sabe o tamanho da crise”, afirma. |
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