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Atualizado às: 03 de janeiro, 2008 - 22h13 GMT (20h13 Brasília)
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Bolívia anuncia investimento em gás, mas não garante contrato com Brasil

Instalação boliviana de exploração de hidrocarbonetos
Bolívia está sujeita a multas por não cumprir contrato com Brasil
O ministro dos Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, disse nesta quinta-feira que, mesmo com novos investimentos na área de petróleo e de gás no país, a produção poderá não ser suficiente para atender os contratos em vigor com Brasil e Argentina.

Villegas e outras autoridades bolivianas anunciaram nesta quinta-feira investimentos de cerca de US$ 1 bilhão no setor em 2008. Segundo o presidente da Bolívia, Evo Morales, os recursos partirão das 12 empresas petroleiras instaladas no território boliviano.

O ministro disse que cumprirá a legislação boliviana que determina prioridade no abastecimento interno e depois o acordo com Brasil, segundo o qual está prevista cobrança de altas multas pela desobediência do contrato.

Ele afirmou ainda que a indústria petroleira precisa de um “um tempo” para mostrar incremento na sua produção.

“Vamos tratar de cumprir os contratos, como determina a legislação”, afirmou o ministro.

Cuiabá

As declarações do ministro geraram dúvidas e levaram a Red Erbol, uma das agências de notícias mais consultadas do País, a dizer que a “Bolívia não cumprirá em 2008 com exportação de gás ao Brasil e a Argentina devido a baixa produção”.

A mesma agência informou que Villegas sinalizou ainda que, no caso do Brasil, a exportação do produto sofrerá “algumas variações”, principalmente para o mercado de Cuiabá (MT).

Assessores de Villegas observaram que o quadro, neste caso, não seria diferente do que já ocorreu no ano passado, quando o abastecimento para Cuiabá sofreu complicações.

“O que o ministro está dizendo é que a Bolívia fará de tudo para cumprir os contratos, mas que a indústria de hidrocarbonetos não reage de forma imediata aos investimentos. Essa produção não aumenta do dia para a noite. Precisa de um tempo”, afirmou um assessor.

"Ao mesmo tempo, a demanda brasileira de gás boliviano varia, com a importação de 24 milhões de metros cúbicos num dia e de 30 milhões no outro, por exemplo."

O presidente Morales disse que os investimentos programados no setor de petróleo e de gás na Bolívia são “os maiores” já realizados. Segundo ele, o montante a ser investido – de entre US$ 1 bilhão e US$ 1,2 bilhão consolidados até agora - deverá superar US$ 1,5 bilhão até o fim do ano.

Ele ressaltou que os valores anunciados nesta quinta-feira não incluem investimentos prometidos pela petroleira venezuelana PDVSA e pelo governo iraniano.

Morales afirmou também, que com estes investimentos, será possível “garantir” o abastecimento de gás comprometido para o mercado interno, para o Brasil e a Argentina.

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